quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Reflexões sobre comida e Espiritualidade



Há algum tempo venho alimentando o desejo de escrever algo a respeito deste assunto.
De maneira nenhuma pretendo esgotá-lo neste post. Pretendo voltar a ele em outra ocasião.
Fala-se muito que a mola que move o mundo é o dinheiro. À primeira vista parece até ser verdade. Se, contudo, aprofundarmos um pouco a nossa compreensão, veremos que não é bem assim. Vou contar o que é que move o mundo: a FOME. O dinheiro é apenas um meio para satisfazer a “fome” (desejo de obter prazer). Embora a fome seja um fenômeno universal, quero abordá-la a partir da experiência de Jesus de Nazaré no deserto da galiléia. Esta história encontra-se descrita no evangelho segundo Mateus capitulo 4: versos 1 a 11. Permitam-me aqui reproduzir parcialmente o texto:


“1 Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo.
2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome.
3 Chegando, então, o tentador, disse-lhe: Se tu és Filho de Deus manda que estas pedras se tornem em pães.
4 Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.


Este texto é riquíssimo em ensinamentos, porém vou me ater aqui ao que considero essencial:
Quando o comer deixa de ser um ato puramente instintivo e animal e passa a se tornar um ato espiritual? Quando isto é feito com CONSCIÊNCIA. Mas  a que consciência me refiro?

1. Consciência de quem você é e quem é o seu provedor:

Vemos no texto, que a abordagem do interlocutor de Jesus designado de Diabo (do grego Diabolos=enganador), começa invariavelmente tentando plantar a dúvida “Se és filho de Deus....”  Jesus tinha plena convicção de quem ele era e da sua conexão com o criador. Enquanto não se atinge esta iluminação, somos conduzidos a reboque dos nossos apetites inferiores. Vivemos neste mundo o dualismo entre o ser animal, que nos identifica com a natureza, e o ser transcendente(à imagem e semelhança da divindade) que tem necessidades(e possibilidades) que ultrapassam os domínios da matéria.  Neste sentido holístico, podemos afirmar que tudo no universo provém de Deus e é nutrido por ele.  A força cósmica divina, manisfesta através de energias de vários níveis de densidade nutre e mantém tudo no universo. Aquilo que comumente chamamos de “pão”, elementos do reino vegetal e animal dos quais nos alimentamos, são apenas manifestações mais densas desta energia.  A luz solar, o oxigênio, as energias eletromagnéticas da terra são também exemplos de princípios nutridores pelos quais somos mantidos.  A conseqüência prática desta consciência arraigada no ser humano é uma só:GRATIDÃO.


2. Consciência daquilo que é bom e está alinhado com o fluxo da vida.

No texto em questão, Jesus se vê diante da possibilidade de transformar pedras em pães para aplacar sua necessidade. No entanto a rejeita por perceber que ao fazer isto estaria contrariando a ordem e as leis da natureza e a conseqüência disto seria MORTE. Contextualizando esta questão, nunca antes o ser humano teve tanto poder para transformar “pedras” em “pães” quanto nos dias de hoje. A humanidade tem alterado radicalmente o seu sistema de produção de alimentos e com isto tem também produzido profundos impactos em seu ambiente(planeta) e no seu próprio organismo.  Transgenia, Agricultura de larga escala baseada no uso de agrotóxicos, desmatamento desenfreado, poluição dos mares e rios, etc, são exemplos de como temos nos tornado peritos na arte de transformar “pedras” em pães.  Tudo em nome da fome. O resultado dessa transmutação alquímica está aí pra todo mundo ver: morte e destruição. O ser humano espiritualmente desperto sabe que um alimento não é apenas a soma de seus nutrientes. Cada alimento é um aglomerado de energias que produzirão vida se estiverem alinhadas com o fluxo da vida. Isto tem a ver com o modo como este alimento foi produzido e as energias “estranhas” que a ele foram acrescentadas no processo. Como diria nosso querido Tim Maia: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Estamos comendo muita “pedra” e chamando isto de pão.

3. Consciência  de que nossas escolhas determinam a saúde e equilíbrio do ser

O desafio comum que está posto para  todo ser humano hoje é o mesmo: manter-se integro e em equilíbrio em um mundo cada vez mais corrompido e desequilibrado. Não vamos conseguir isto sem o exercício da espiritualidade. Somos seres dotados de livre arbítrio(aspecto este que nos identifica com o criador). Temos o poder de mudar a nós mesmos e o nosso meio através de nossas escolhas. A forma como tratamos o nosso corpo é reflexo do nosso estado espiritual. A espiritualidade não ocorre no vácuo. È no contexto do corpo , do tempo-espaço e do universo material. A forma como alimento e trato o meu corpo, assim como, com que alimento a minha mente, são atitudes espirituais. Através delas atraímos luz ou trevas.

Hipócrates, mais de 400 anos antes de Cristo ensinava “seja o alimento o teu remédio.” Aquilo que comemos tem o poder de alterar o funcionamento de nosso corpo físico, a natureza de nossos pensamentos e até a expansão de nossa consciência. Um estudo de 2 anos conduzido por Steven Schoenthaler, PhD, publicado no Journal of Biosocial research, demonstrou que enquanto o americano médio consumia cerca de 56 kg de açúcar por ano, delinqüentes juvenis sob custódia consumiam mais de 130 kg por ano. Quando esta ingestão de açúcar foi significativamente reduzida, os fast food também reduziram, frutas e vegetais foram acrescentados em maior quantidade, houve uma redução de 48% nos comportamentos antisociais, incluídos aí crimes violentos, crimes contra a propriedade e fugas. Isto foi obtido simplesmente com uma mudança alimentar.

Somos seres livres para fazer as escolhas que quisermos. Também para viver com as consequências delas.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Tenha um Feliz Natal e um próspero ano novo tratando o seu pâncreas com mais carinho!



Se em vez do título acima eu tivesse escrito “Tenha um Feliz Natal e um próspero ano novo  tratando o seu fígado com mais carinho”, com certeza a maioria faria a leitura mais óbvia e entenderia a referência implícita para evitar ou reduzir o consumo de álcool. No entanto, em se tratantando do pâncreas, ainda grande desconhecido da maior parte da população, a referência deixa de ser óbvia. 

O pâncreas é um órgão interessante. Com 15-25 cm, se localiza no abdômen,mais precisamente no retroperitônio. Ou seja, ele está localizado posteriormente ao estômago e está em associação próxima ao duodeno. O pâncreas é ao mesmo tempo um órgão exócrino e endócrino. Isto significa que libera secreções no tubo digestivo(sucos pancreáticos com funções digestivas) e produz hormônios lançados diretamente na corrente sanguinea(Insulina, glucagon e somatostatina). Através dos hormônios insulina e glucagon, o pâncreas regula e controla os níveis de açúcar(glicose) no sangue.

Do ponto de vista fisiológico, o pâncreas é acionado todas as vezes que nos alimentamos. Quando os níveis de glicose pós prandiais (pós alimentação) se elevam, o pâncreas reage liberando a insulina produzida pelas chamadas células beta. A insulina é o hormônio que possibilita a glicose circulante entrar na célula e ser utilizada como substrato para a produção de energia. Quando não há produção adequada da insulina, ou quando, mesmo havendo insulina, esta não consegue exercer adequadamente suas funções (resistência à insulina) surge o Diabetes Mellitus, doença em franco crescimento no mundo moderno.

Na década de 90, a literatura científica começou a utilizar um termo interessante: “ambiente obesogênico”. Este termo tem sido utilizado para descrever um ambiente que encoraja o consumo de alimentos com alta densidade energética , rico em açúcares, carboidratos refinados, sal e gorduras, e desencoraja a atividade física. E este ambiente,  no qual estamos inseridos,  tem se tornado um lugar cada vez mais desfavorável à sobrevivência do nosso pâncreas. A evidência disto se manifesta pelo aumento absurdo na incidência da obesidade, Diabetes tipo 2 e intolerância à glicose (ou pré diabetes) na população mundial. Ora, estes 3 fenômenos citados (Obesidade, Diabetes tipo 2 e intolerância á glicose) nada mais são que manifestações diversas de um mesmo problema fisiopatológico: a resistência á ação da insulina. Quando um organismo desenvolve resistência á ação da insulina, seus tecidos(especialmente músculos e tecido adiposo) perdem em grande parte a capacidade de responder às ações da insulina. O pâncreas tenta compensar esta resistência á ação da insulina produzindo quantidades adicionais do hormônio. Isto resulta em um estado de HIPERINSULINEMIA na corrente sanguínea e todos os efeitos adversos decorrentes deste desajuste. A resistência à insulina acarreta um aumento da deposição de gordura no abdômen. Pesquisas já demonstraram que esta gordura abdominal visceral produz uma série de hormônios que atuam para acelerar o processo de resistência à insulina. Assim, forma-se um ciclo vicioso. Quanto maior a gordura abdominal, maior será a resistência à insulina e vice versa. 

Insulino resistência e hiperinsulinemia não constituem uma “doença” ou diagnóstico específico, contudo tem sido inequivocadamente associadas a condições tais como, Doença cardiovascular, Diabetes tipo2, Obesidade visceral (linha da cintura cintura > 102 cm), hipertensão arterial, Síndrome do Ovário policístico, Dislipidemia(aumento de triglicérides, Diminuição HDL e aumento de LDL) e esteatose hepática. Muitos pesquisadores também alegam haver uma correlação bastante significativa entre a insulino resistência e vários tipos de câncer.

Como saber se uma pessoa apresenta resistência à insulina? 

Tendo em vista que a resistência se desenvolve muito antes do aparecimento das doenças, acredita-se que a identificação e o tratamento precoce desses pacientes tenha um importante papel preventivo. Deve-se suspeitar da síndrome da resistência à insulina em pacientes com história de diabetes em parentes de primeiro grau, com história pessoal de diabetes gestacional, síndrome do ovário policístico ou de intolerância à glicose, além de pacientes obesos (particularmente aqueles com acúmulo de gordura abdominal). 

Do ponto de vista laboratorial, uma glicemia de jejum  >100 mg/dl e < 127 mg/dl, segundo os critérios mais novos da ADA(Sociedade Americana de Diabetes) caracteriza o que chamamos de intolerância à glicose ou pré diabetes. Níveis de glicemia de jejum iguais ou superiores a 127 mg/dl já dão diagnóstico de Diabetes Mellitus. Às vezes o paciente tem níveis normais de glicemia em jejum mas apresenta alterações no teste oral de tolerância à glicose. Durante um teste de tolerância à glicose, um paciente em jejum toma uma dose oral de 75 gramas de glicose. Os níveis de glicose no sangue são, então, medido após a primeira e segunda hora..
A interpretação é baseada em diretrizes da OMS. Depois de duas horas, a glicemia inferior a 140 mg / dl é considerado normal, uma glicemia entre 140-199 mg / dl é considerada como intolerância à glicose (IGT) e um glicemia maior ou igual a 200 mg / dl é considerado Diabetes Mellitus.

A resistência á insulina é um fator comum a múltiplas doenças do mundo moderno e, ao meu ver, é uma manifestação da sobrecarga que o nosso pâncreas vem sofrendo por este “ambiente obesogênico” que favorece a manutenção quase constante de altas taxas de açúcar circulantes e demanda uma produção exagerada de insulina. O tratamento atual consiste de mudanças comportamentais, como a perda de peso,redução dos carboidratos refinados,  a prática regular de atividade física e uma dieta rica em fibras. 


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Arginina: um nutriente com cara de remédio


A Arginina é um aminoácido não essencial (que pode tornar-se essencial sob certas circunstâncias) que desempenha múltiplas funções na fisiologia e metabolismo humano.

Tendo fundamental participação em processos tão variados como divisão celular, cicatrização de ferimentos, remoção da amônia do organismo, função imunológica, regulação da liberação de vários hormônios, regulação do fluxo sanguíneo nos vasos através da liberação de óxido nítrico; agora a literatura cientifica tem apresentado evidências de seu efeito benéfico potencial em obesidade.

Em trabalho publicado no Journal of Nutrition, cientistas texanos ligados à “AgriLife Research Centre, Texas A&M University estudaram os efeitos da suplementação de arginina em ratos obesos. Há crescentes evidências apontando que a suplementação de L-Arginina na dieta, reduz a adiposidade(massa de gordura) em ratos obesos geneticamente modificados, porcos e humanos com Diabetes Mellitus tipo 2. Os mecanismos envolvidos neste beneficio promovido pela Arginina são um tanto quanto complexos. Em ultima instância, envolvem modificações no balanço energético do organismo em favor da redução dos depósitos de gordura corporal ou redução do crescimento do tecido adiposo branco. Recentes estudos indicam que a suplementação de L-Arginina estimula a biogênesis mitocondrial e o desenvolvimento de tecido adiposo marrom, bem como o aumento na expressão de genes relacionados à oxidação de substratos energéticos como a glicose e ácidos graxos.

No referido trabalho, ratos geneticamente modificados receberam suplementação de L-Arginina através da água durante 10 semanas. A suplementação com L-Arginina reduziu significativamente(16%) o peso corporal, bem como o peso dos tecidos adiposos do abdômen e epidídimo, sem contudo alterar a ingesta de alimentos ou água. Outro interessante efeito observado foi o aumento proporcional de peso da musculatura esquelética, coração e cérebro dos ratos estudados.

Os autores do estudo observaram em ratos o efeito antiobesidade da suplementação de L-Arginina, que pode ser benéfica e potencialmente útil para o tratamento de indivíduos obesos e diabéticos. Novos estudos em humanos deverão confirmar estes presupostos.

As principais fontes de Arginina na alimentação incluem os laticínios(queijos, iogurte, requeijão), carnes(bovina, aves, frutos do mar e caça), além de chocolate, amendoim, nozes, melancia, etc.

Fonte: J. Nutr. 135:714-721, April 2005

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que a jaboticaba tem?


A riqueza da flora brasileira é tão exuberante e variada, contudo ainda muito pouco explorada em relação ao seu potencial para saúde humana. O Brasil ainda não construiu uma política adequada em relação à proteção das espécies nativas e ao estudo científico  do conhecimento empírico acumulado pelas populações em relação à seus recursos naturais. Isto abre as portas para a chamada Biopirataria. O termo biopirataria não refere-se apenas ao contrabando de diversas espécies naturais da flora e da fauna, mas principalmente, à apropriação e monopolização dos conhecimentos das populações tradicionais no âmbito do uso dos recursos naturais. Estas populações estão perdendo o controle sobre esses recursos.A biopirataria tem prejudicado a Amazônia. Causa risco de extinção a inúmeras espécies da fauna e da flora, com o contrabando das mesmas - retirando-as de seu habitat natural. Por incrível que pareça, produtos nativos nossos como o açaí, cupuaçu, andiroba, jaborandi, etc, têm sido patenteados em países da Europa e Japão. 

Outro dia conversava com um amigo que trabalha na policia federal e ele me revelou como variadas ONGs estrangeiras estão explorando (e se apropriando) de recursos da nossa floresta amazônica. Imiscuídos em diversas aldeias indígenas, estão coletando informações seculares acumuladas por estes povos acerca do valor medicinal de diversas espécies nativas e estudando isto cientificamente. Estou falando tudo isso apenas a título de introdução para o assunto do qual quero tratar neste post: nossa JABOTICABA.
 
Recentemente, em estudo realizado na UNICAMP a Dra. Daniela Brotto Terci (química), enquanto pesquisava pigmentos naturais capazes de substituir corantes artificiais usados na indústria alimentícia, descobriu como esta frutinha é uma fonte extraordinária de antocianidinas. As antocianinas são pigmentos responsáveis por uma variedade de cores atrativas e brilhantes de frutas, flores e folhas que variam do vermelho vivo ao violeta e azul. Daniela jamais tinha suspeitado de que havia tanta antocianina ali, na jabuticaba; aliás, nem ela e nem ninguém mais.
"Os trabalhos a respeito dessa fruta são muito escassos", justifica a pesquisadora, que também mediu a dosagem de antocianinas da amora e da uva. Ironia, o fruto da videira saiu perdendo no ranking, enquanto o da jabuticabeira... Dê só uma olhada, o número representa a quantidade de miligramas de antocianidinas por grama da fruta:

- Jabuticaba: 314 mg
- Amora: 290 mg
- Uva: 227 mg

As antocianidinas pertencem à classe dos bioflavonóides (compostos amplamente distribuídos no reino vegetal, descobertos em 1936, que apresentam ação semelhante à vitamina C; também denominados vitamina P), que conferem às plantas, frutas e flores uma cor que varia do vermelho ao azul.  Nas últimas duas décadas, inúmeros estudos e pesquisas contribuíram para uma melhor compreensão a respeito das antocianidinas. Experiências em laboratórios demonstraram que as antocianidinas são antioxidantes aproximadamente, 50 vezes mais potentes do que a vitamina E e 20 vezes mais do que a vitamina C. Entre os inúmeros benefícios das antocianidinas na saúde citamos: ação antiinflamatória sobre os tecidos e articulações, protegem e estimulam a reparação dos tecidos ricos em colágeno- principal proteína da pele, responsável pela firmeza e elasticidade(também as artérias, mantendo a elasticidade e evitando o endurecimento), melhoram a circulação sanguinea periférica e fortalece os vasos sanguineos, melhoram as defesas imunológicas, protegem a visão (degeneração macular), auxiliam na estabilização dos níveis de açúcar no sangue e apresentam propriedades anticancerígenas.

A temporada de jaboticaba é curta. Além de ser deliciosa “in natura”, lembrando que não se deve jogar a casca fora porque é na casca que se encontram as benditas antocianidinas, muitas receitas como sucos geléias, e até bolos podem ser preparadas. Recentemente tenho utilizado um método que me permite dispor deste valioso nutriente durante boa parte do ano. Comprei pela internet um desidratador de frutas. Eu lavo bem a fruta, retiro a polpa e ponho as cascas para desidratar durante aproximadamente 24 horas. Depois disto eu passo as cascas no processador até que obtenha um pó fino bastante para passar na peneira comum. Cosumo em média uma colher de café deste preparado diariamente.

O resveratrol (extraído da casca da uva escura) tem sido muito “badalado”  e bastante vendido (a preço bem elevado) pelas seus supostos benefícios à saúde. Os antioxidantes polifenólicos da uva(como o resveratrol) são da mesma classe encontrada na jaboticaba. A jaboticaba é nossa, tem mais antioxidantes que a uva e é barata. Vamos valorizar mais o que é nosso.

domingo, 10 de outubro de 2010

Restringir calorias para viver mais: estamos descobrindo a verdadeira fonte da juventude?


Nas últimas décadas temos presenciado um crescimento vertiginoso na produção científica relacionada ao envelhecimento humano e estratégias biológicas possíveis para retardá-lo. Tanto que, em países desenvolvidos como os Estados Unidos, novas áreas de atuação e pesquisa tem surgido (“antiaging medicine”) ocupando-se em extender ao máximo a longevidade humana, que, segundo boas fontes de pesquisa, estaria geneticamente programado para alcançar perfeitamente seus 120 anos.  Enquanto muitas estratégias estão sendo discutidas e defendidas por cientistas e médicos com esta finalidade, tais como modulação hormonal, uso de antioxidantes, medicamentos, nutrientes, etc, até o presente momento, a única estratégia bem documentada e cientificamente comprovada, tanto na espécie humana quanto nas demais espécies como roedores, invertebrados  e mamíferos, é a restrição calórica com nutrição ótima.  Deste modo, a longevidade do ser humano não dependeria  apenas do QUE ele come, mas principalmente de QUANTO ele come.
Estudos tem mostrado que a restrição calórica acompanhada por nutrição ótima pode extender a vida média de animais em 30 a 230%, dependendo da espécie observada. Nos EUA, o National institute on aging(NIA), a Universidade de Winsconsin e a Universidade de Maryland estão no momento conduzindo estudos sobre os efeitos da restrição calórica em primatas. Resultados definitivos  estarão disponíveis ainda este ano.  Preliminarmente, no estudo do NIA, o número de mortes no grupo da restrição calórica é aproximadamente a metade do observado no grupo sem restrição calórica.
Embora estudos sobre os efeitos da restrição calórica em humanos nunca tenham sido conduzidos, há evidências que sugerem que os benefícios da restrição calórica com nutrição ótima também podem funcionar em humanos, como nas outras espécies. Por exemplo, a ilha de Okinawa no Japão é um dos lugares do mundo com maior concentração de idosos. Okinawa tem cerca de 40 vezes mais centenários que o resto do Japão.A ingesta calórica de um adulto de Okinawa é 20% mais baixa que em outros lugares do Japão. As crianças de Okinawa consomem apenas 60% do total de calorias consumidas por seus pares japoneses. A longevidade deste grupo pode muito bem estar relacionada a dieta com restrição calórica, embora outros fatores também possam estar relacionados.
Adicionalmente, dados do “Baltimore Longitudinal Study on Aging” sugerem que humanos longevos exibem várias características fisiológicas e bioquímicas também observadas em animais sob restrição calórica: menores valores de temperatura corporal, níveis mais baixos de insulina circulante, menores níveis do hormônio tiroideano T3 e níveis mais altos do hormônio DHEA (possivelmente um marcador de longevidade) no sangue.

Como a restrição calorica parece interferir na longevidade e na saúde.

A evidência científica mais relevante atribui boa parte dos efeitos benéficos da restrição calórica com nutrição ótima à redução nos níveis de glicose e insulina na circulação e conseqüente melhora da sensibilidade à insulina. A maioria das pessoas hoje está comendo bem mais (calorias) do que necessita para manter um nível ótimo de saúde.
Nossa genética (que não é diferente da dos nossos ancestrais que viviam em cavernas) é toda adaptada para aproveitar ao máximo o alimento disponível e armazenar o excedente em forma de gordura. O estabelecimento da agricultura há 10000 passou a ditar a forma das pessoas se alimentarem. Grãos ricos em carboidratos tornaram-se disponíveis em grandes quantidades. Logo, as farinhas refinadas destes grão(que promovem rápidos aumentos nos níveis circulantes de glicose e insulina) também passaram a representar uma das principais fontes de calorias da dieta do homem moderno. Este desajuste entre a nossa programação genética e o estilo de vida moderno explica porque a sociedade esta cada vez mais gorda e mais enferma. A escalada das chamadas doenças crônicas degenerativas (hipertensão artéria, diabetes, obesidade, câncer, doença cardiovascular, etc) tem sido o resultado natural do aumento de consumo de calorias, principalmente às custas de “calorias vazias”, ou seja de pobre conteúdo nutricional, e da redução do nível de atividade física da população. Ora, se prestarmos atenção, observamos que estas doenças crônicas são características do processo de envelhecimento. Apontam para o fato de que o excesso de calorias acelera os processos biológicos de envelhecimento celular. Os estudos de restrição calórica em animais indicam redução significativa de todos os fatores de risco para estas doenças, além do prolongamento do tempo de vida.
Outros mecanismos relacionados à eficácia da restrição calórica em promover maior longevidade estão relacionados com a redução do metabolismo, redução na formação de radicais livres e do dano celular provocado por eles, redução da inflamação endógena e potencialização dos processos de reparo celular e de DNA.
 
Cabe aqui um esclarecimento necessário. A restrição calórica que trás como resultado a extensão da vida, é a RESTRIÇÃO CALÓRICA COM NUTRIÇÃO ÓTIMA, ou seja, através de uma dieta balanceada que não restringe o aporte de nenhum nutriente importante para a manutenção da saúde. Em post anterior, expliquei aqui como os pequenos desequilíbrios diários na ingestão de calorias é que determinam o ganho de peso observado a medida que o tempo passa. A conta é mais ou menos assim: 50 calorias por dia a mais do que se gasta, irão acarretar um ganho de aproximadamente 2kg ao final de 1 ano. Embora nem todos necessitem reduzir 30% do total de calorias consumidas, que é a quantidade de redução em que os estudos observam aumento da longevidade, a grande maioria vai se beneficiar grandemente de reduções mais modestas, com efeitos positivos sobre o ganho de peso e redução de risco de doenças crônico degenerativas.


FONTES:

1.  JMcCay CM, Crowell MF, Maynard LA. The effect of retarded growth upon the length of life span and upon the ultimate body size. Journal of Nutrition 1935, 10:63-79. 


2.  Weindruch R, Walford RL., "Dietary restriction in mice beginning at 1 year of age: effect on life-span and spontaneous cancer incidence." Science, March 12, 1982; 215(4538), pages 1415-8. PMID: 7063854


3.  Roy Walford, M.D., "Beyond the 120 Year Diet: How to Double Your Vital Years ", 2000. 


4.  Mattson, et al. "Intermittent fasting dissociates beneficial effects of dietary restriction on glucose metabolism and neuronal resistance to injury from calorie intake, Proc Natl Acad Sci USA, 2003 May 13; 100(10):6216-6220. 


5.  E J Masoro, et al, "Action of food restriction in delaying the aging process", Proc Natl Acad Sci U S A., 1982 July; 79(13): 4239-4241. 


6.  Ross MH., Length of life and caloric intake. Am J Clin Nutr. 1972 Aug;25(8):834-8. 


7.  Bodkin NL, Alexander TM, Ortmeyer HK, Johnson E, Hansen BC. Mortality and morbidity in laboratory-maintained Rhesus monkeys and effects of long-term dietary restriction. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2003 Mar;58(3):212-9. PMID: 12634286


8.  Keys A, Brozek J, Henschel A, Mickelsen O, Taylor HL. "The biology of human starvation", Minneapolis: University of Minneapolis Press, 1950. 


9.  Kalm LM, Semba RD, "They starved so that others be better fed: remembering Ancel Keys and the Minnesota experiment", J Nutr. 2005 Jun; 135(6):1347-52. PMID: 15930436 


10.  Welle SL, Seaton TB, Campbell RG. "Some metabolic effects of overeating in man", Am J Clin Nutr. 1986 Dec;44(6):718-24. PMID: 3538842

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A terapia genética não fracasou e está disponível para ser usada em sua próxima refeição.

A revista superinteressante em edição de setembro/2010 aborda o aparente insucesso da ciência(até o momento), em , a partir do conhecimento gerado pelo mapeamento genético humano concluído em 2004 através do projeto Genoma,  disponibilizar uma terapia eficaz e segura que possa evitar ou tratar doenças que tenham um componente genético importante em sua fisiopatologia.

Durante as décadas de 1980 e 1990, ensaios sobre terapia gênica anunciavam uma nova revolução da medicina. As técnicas de biotecnologia molecular moderna tornariam possível a reparação de defeitos genéticos, "inserindo DNA saudável diretamente nas células de um paciente", sabiam os pesquisadores. O entusiasmo, porém, logo se desvaneceu. Apesar de alguns resultados positivos terem sido alcançados, as dificuldades encontradas e os problemas criados, sobretudo pela introdução de vírus recombinantes  em organismos, infelizmente, não permitiram que essa revolução ocorresse como previsto.

Em 2004 o projeto Genoma foi concluído. Se tudo tivesse saído como imaginado, o projeto Genoma teria desvendado a causa de doenças graves como Diabetes, Câncer, Alzheimer, etc. Na prática, o que se esperava era mais ou menos isto: todo o mundo teria o genoma mapeado. O médico leria o DNA do paciente e procuraria por algum gene ou mutação capaz de provocar uma doença. Se encontrasse algo preocupante, prescreveria um tratamento que agisse naquele gene. Diabéticos por exemplo, sairiam com uma receita que regulasse o gene responsável pela produção de insulina. Contudo,a euforia inicial começou a desmoronar assim que os cientistas mergulharam nos dados do genoma. Para começar, eles nem sabiam bem quantos genes teriam que decifrar. A principio acreditavam que o genoma humano continha aproximadamente 300.000 genes. Depois reduziram para 100.000. Ao final do projeto chegaram a quantia de 25.000 genes. Com o mapeamento do genoma humano, muito mais perguntas foram levantadas que respondidas. A complexa análise funcional do genoma humano permanece como fronteira a ser explorada. Cite-se, por exemplo, o caso da obesidade. Os cientistas já descobriram cerca de 40 genes relacionados com esta patologia. Contudo, este número representa apenas 10% do total de genes relacionados à obesidade. Ainda falta correr atrás dos outros 90%.

Enquanto não chega a “pílula mágica” que vai permitir desativar genes responsáveis pela maioria das doenças que dizimam a nossa espécie, ou ativar genes que nos tornarão mais resistentes a estas doenças(aliás, a corrida pelo desenvolvimento desta classe de fármaco é uma espécie de “santo graal” da indústria farmacêutica), o meu propósito com este artigo é chamar a atenção aqui para a maneira mais simples, segura e econômica como podemos influenciar a nossa genética, prevenir as chamadas doenças crônico degenerativas e ter uma melhor qualidade de vida: comendo.
 
A interação nutriente x genes: nossos genes dependem de uma boa nutrição

Nos últimos 40.000 anos temos replicado nossos gens geração após geração sem alterações significativas. Isto quer dizer que mudanças em nosso perfil genético não respondem pelo aumento ou redução na incidência das doenças mais relevantes atualmente, como diabetes, câncer, alzheimer, doença cardiovascular, etc. Os seres humanos são 99,9% iguais do ponto de vista genético. Isto quer dizer que  é este 0,1% de diferença na constituição genética que torna cada ser humano único. É esta diferença que também explica porque alguns indivíduos são mais suscetíveis a determinadas doenças e mais resistentes a outras, e porque determinadas pessoas respondem, de maneira particular a determinado medicamento.
Embora a constituição genética possa nos tornar mais suscetíveis a determinada doença, é na verdade o nosso estilo de vida que vai determinar se vamos chegar a desenvolver esta doença ou não. Em outras palavras, a nossa genética é modulada pelo nosso estilo de vida(o que  e quanto comemos, quanta atividade física realizamos, quanto stress experimentamos, etc). Com exceção de algumas poucas doenças, causadas por mutações genéticas, a maioria das doenças humanas resulta de interações entre a suscetibilidade genética e fatores ambientais modificáveis. Em termos coloquiais, poderíamos colocar assim: a genética carrega a arma, mas é o ambiente que puxa o gatilho. Um individuo pode herdar uma predisposição para um fenótipo (uma doença, por exemplo) contudo, a manifestação deste fenótipo(inicio da doença) e a magnitude deste fenótipo(severidade da doença)pode ser modificada pela exposição a fatores ambientais(nutrientes, poluentes, etc). O conceito pode ser simplificado desta forma: um organismo metaboliza os nutrientes dos alimentos, e também outros xenobióticos(toxinas, poluentes, drogas, etc) que vão influenciar a expressão da informação genética. Estes compostos químicos podem alterar a expressão genética, estrutura da cromatina, processos de reparo do DNA e outros processos regulatórios, em última instância, determinando ou não o surgimento de doenças como câncer, diabetes, alergias, infertilidade, etc. 

Embora as técnicas de manipulação genética tenham falhado em criar terapias novas e seguras, surpreendentemente, a esperança de melhores tratamentos e prevenção de muitas doenças que nos afligem surge de uma fonte inesperada: o estudo da NUTRIÇÃO. Hipócrates, pai da medicina já compreendia esta verdade aproximadamente 2500 ac ao afirmar “seja o alimento o teu remédio, e teu remédio alimento”. No entanto, a medicina moderna com seu progresso tecnológico, começa a reconhecer a excelência dos preceitos hipocráticos. Um enorme volume de dados da literatura científica aponta para o fato de que o normal funcionamento de nossos gens depende basicamente de uma boa dieta e um estilo de vida saudável. Os nutrientes dos alimentos(carboidratos, proteinas, lipídios, vitaminas, minerais, fitoquimicos, etc.)podem ativar ou desativar gens interferindo diretamente em nossa saúde, qualidade de vida e longevidade. Vejamos um exemplo como isto funciona: Em 1960 foi relatado na literatura científica que mulheres grávidas que ingeriam dietas com baixo teor de vitaminas do complexo B e ácido fólico apresentavam alto risco de dar a luz a crianças com uma séria má formação congênita chamada espinha bífida. Alguns anos depois, os cientistas compreenderam que algumas mulheres apresentavam uma deficiência genética que interferia na síntese de ácido fólico no organismo, aumentando o risco de defeitos congênitos nos filhos destas mulheres. Os estudos concentraram então sobre o gene associado com a produção de uma enzima essencial para a síntese do ácido fólico. Defeitos neste gene determinavam a criação de uma enzima ineficiente, que por sua vez limitava a produção de ácido fólico no organismo, essencial para a produção do DNA e crescimento fetal. Então os cientistas descobriram que mulheres que aumentavam seu consumo de ácido fólico (através de alimentos ou suplementos) superavam este empecilho genético e davam a luz a bebês sadios e sem defeitos. Este é apenas um exemplo como fatores genéticos podem ser modificados ou modulados pela interação com a dieta. Outro exemplo mais recente é a vitamina D. Inicialmente associada ao metabolismo do cálcio e saúde dos ossos, hoje sabe-se que sua ação no organismo assemelha-se mais à ação de um hormônio, interferindo diretamente na atuação de mais de 200 genes responsáveis por múltiplas ações, com influência importante em problemas como obesidade, diabetes, depressão, etc.

Os conhecimentos nesta área, deram origem a um novo campo de estudo que recebeu o nome de NUTRIGENÔMICA. A nutrigenômica estuda a interação entre a dieta e nutrientes com nossos genes e seus efeitos na saúde e doença. A nutrigenômica futuramente vai nos permitir delinear uma dieta realmente personalizada, ou seja, apropriada para nossa constituição genética. As pirâmides alimentares são generalizações muitas vezes inadequadas a um indivíduo em particular. É a genética que vai determinar quantas porções de carboidratos por dia o indivíduo deve consumir, que vitaminas suplementar, que gorduras restrigir,etc. Este é o futuro. O fim disto? Uma vida mais longa e mais saudável. Quem viver verá.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Canela: muitos beneficios além do sabor


A canela é a especiaria extraída da porção interna da casca da caneleira. A caneleira é uma árvore originária do Ceilão, da Birmânia e da Índia e conhecida há mais de 2500 anos a.C. pelos chineses. Seu nome científico, "cinnamomum", segundo referências, é derivado da palavra indonésia "kayu manis", que significa "madeira doce". São duas as espécies mais difundidas: a Cinnamomum zeylanicum, originária do Ceilão, atual Sri Lanka, e a Cinnamomum cassia, conhecida como canela-da-China. Esta é a espécie comercializada no Brasil.

A ciência moderna a cada dia tem confirmado o efeito terapêutico de muitas ervas e especiarias de uso milenar. Isto se aplica com muita propriedade à canela da China.

Veja os benefícios para a saúde que a literatura científica tem atribuído à canela:

  • Varios estudos publicados nos últimos 10 anos tem demonstrado um efeito regulatório da canela sobre os níveis de açúcar (glicose) no sangue, tornando-a particularmente útil para indivíduos com resistência insulínica e Diabetes tipo II. 
Um dos primeiros estudos que observou este efeito               em humanos foi publicado em 2003 no periódico        cientifico “Diabetes Care”. Neste estudo, 60 pessoas com Diabetes tipo II receberam 1, 3 ou 6 gramas de canela diariamente em forma de comprimidos, quantidade aproximadamente equivalente a 1 colher de chá de canela em pó. Após 40 dias, todas as 3 quantidades testadas foram eficazes em reduzir a glicemia de jejum em 18 a 29%, os níveis de triglicerídios no sangue em 23 a 30%, e os níveis de colesterol LDL(colesterol ruim) em 7 a 27%.

  • A Canela tem propriedades antiinflamatórias. Em um estudo na Universidade de Copenhagen, pacientes que receberam meia colher de chá de canela associada a 1 colher de sopa de mel antes do desjejum tiveram uma significativa melhora nas dores artríticas após uma semana e puderam caminhar sem dor dentro de um mês.

  • Em alguns estudos, a canela tem demonstrado propriedades antifúngicas, inclusive contra fungos resistentes a antibióticos.
  • Um estudo concluiu que mastigar canela ou apenas cheirá-la teve influência positiva na função cognitiva melhorando a atenção e memória.
  • Em um estudo publicado por pesquisadores do Departamento Americano de Agricultura de Maryland, a canela reduziu significativamente a proliferação de células cancerosas de leucemia e linfoma.
  • Estudos in vitro tem atribuido à canela propriedades anticoagulantes,diminuindo a viscosidade de sangue.
  • Pesquisadores da universidade do Kansas encontraram que a canela previne o crescimento de Escherichia coli (bactéria patogênica) em sucos não pasteurizados
  • Em 2006, no “meeting” anual do Colégio Americano de Nutrição, pesquisadores apresentaram um pequeno estudo que mostrou importantes efeitos antioxidantes de um extrato aquoso de canela em pacientes diabéticos e pré diabéticos. Os antioxidantes são substâncias que combatem os radicais livres associados ao envelhecimento prematuro e patologias crônicas.
  • A canela é uma boa fonte de manganês, cálcio e ferro.

Fontes:

1. Khan A, Safdar M, Ali Khan MM, Khattak KN, Anderson RA. Cinnamon improves glucose and lipids of people with type 2 diabetes. Diabetes Care. 26.12 (2003): 3215-3218.
2. Verspohl EJ, Bauer K, Neddermann E. Antidiabetic effect of Cinnamomum cassia and Cinnamomum zeylanicum in vivo and in vitro. Phytotherapy Research. 19.3 (2005): 203-206.
3. Hlebowicz J, Darwiche G, Björgell O, Almér LO. Effect of cinnamon on postprandial blood glucose, gastric emptying, and satiety in healthy subjects. Am J Clin Nutr. 2007 Jun;85(6):1552-6. 2007
 
4. Quale JM, Landman D, Zaman MM, et al. In vitro activity of Cinnamomum zeylanicum against azole resistant and sensitive Candida species and a pilot study of cinnamon for oral candidiasis. Am J Chin Med 1996;24(2):103-9 1996.
 
5. American Journal of Clinical Nutrition, Vol. 85, No. 6, 1552-1556, June 2007

 6. Akenaga M, Hirai A, Terano T, et al. In vitro effect of cinnamic aldehyde, a main component of Cinnamomi Cortex, on human platelet aggregation and arachidonic acid metabolism.                        J Pharmacobiodyn 1987 May;10(5):201-8 1987

sábado, 4 de setembro de 2010

Quem paga a conta de salvar o planeta?


Estava eu na fila do supermercado quando me deparei com este novo item que agora começa a figurar nas prateleiras da maioria dos supermercados do país: a sacola retornável. A R$ 3,99 a unidade. Ótimo que se queira dar fim a este crime ambiental perpetrado pelas sacolas plásticas, aparentemente inocentes,  que demoram mais de 100 anos para se decompor e são capazes de bloquear nossos esgotos, causando enchentes nas grandes cidades, provocam a morte de inúmeros animais marinhos (incluindo grandes baleias), devido à ingestão do material, entre inúmeras outras mazelas ambientais. Mas quem paga a conta? No final, como sempre, o pobre e extorquido cidadão comum.
Em todo o mundo são produzidos 500 bilhões de sacolas plásticas a cada ano, o equivalente a 1,4 bilhão por dia. No Brasil, 1 bilhão de sacolas são distribuídas nos supermercados mensalmente - o que dá 66 sacolas por brasileiro ao mês.
No total, são 210 mil toneladas de plástico filme, a matéria-prima das sacolas, ou 10% de todo o detrito do país. Não há dúvida: é muito lixo. Apenas 1% do total de sacolas descartadas são recicladas. Em São Francisco(EUA), as sacolas de plástico foram banidas. Somente as feitas de produtos derivados do milho ou de papel reciclado podem ser usadas. Outra solução é a cobrança de uma taxa por sacola, como acontece na Irlanda desde 2002. O dinheiro é revertido para projetos ambientais.
No Brasil, a principal alternativa tem sido as sacolas de plástico oxibiodegradáveis. Elas vêm com um aditivo químico que acelera a decomposição em contato com a terra, a luz ou a água. O prazo de degradação é até 100 vezes menor - ou seja, uma sacola leva apenas três anos para desaparecer. O governo do Paraná já distribui gratuitamente essas sacolas.
Projetos de leis estaduais para substituir as sacolas de plástico pelas oxibiodegradáveis tramitam no Rio Grande do Sul, no Paraná e no Rio de Janeiro.
Estamos assistindo a propaganda política nacional dos candidatos a cargos eletivos. Ainda não ouvi de nenhum candidato proposta em relação à regulamentação desta tão importante matéria. Afinal, político brasileiro tem muita dificuldade quando não se trata de legislar em causa própria. E o empresariado, o que está fazendo a respeito? Quase nada, a não ser empurrar a conta para o consumidor? Embora as autoridades(políticas e econômicas) estejam fazendo muito pouco a respeito, nós cidadãos conscientes precisamos apressar esta mudança. E a primeira coisa, mais coerente a fazer é mudar os nossos próprios hábitos. Ainda que para isto não recebamos nenhum incentivo dos governantes. Tenho dito!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Depressão? A raiz do problema pode estar em seu intestino


Depressão é uma desordem mental freqüente que afeta mais de 121 milhões de pessoas ao redor do mundo. Está entre as principais causas mundiais de invalidez e, e , segundo as estatísticas, menos de 25% das pessoas afetadas tem acesso a tratamentos efetivos.A Depressão pode  manifestar-se de várias formas: humor deprimido, perda de interesse, pessimismo, lentificação das atividades físicas e mentais,sentimentos de culpa, boca ressecada, constipação, perda de peso e apetite, insônia, perda do desejo sexual, etc. A depressão não tratada pode levar ao suicídio, que ceifa a vida de quase 1 milhão de pessoas por ano.
Os medicamentos antidepressivos(prozac, zoloft, eflexa, etc) correspondem à segunda classe de drogas mais vendidas no mundo.

Embora considerada um problema psiquiátrico, relacionado ao desequilibrio de neurotransmissores, a complexa etiologia da depressão recebeu uma luz importante de trabalhos publicados recentemente na literatura científica. E imaginem onde foram encontrar um fator crucial que pode explicar todo o mecanismo da patologia? No intestino. Também chamado de “o segundo cérebro” pelo professor de anatomia e biologia celular Dr. Harper Collins, autor do best seller “The second Brain”, a conexão intestino x cérebro começa a ser elucidada. 

Veja porque a participação do intestino tem recebido uma crescente importância na manutenção da saúde do ser humano.

  • 80% do nosso sistema imunológico reside no intestino
  • Seu intestino é responsável por proteger você contra toxinas e patógenos, tais como parasitas, bactérias, vírus e fungos.
  • A flora residente no intestino( entre 300 e 1000 espécies de microorganismo)s , à luz das novas descobertas,  passa a ser vista praticamente como um órgão a parte, tendo uma participação fundamental em processos intestinais e extraintestinais. Recentemente até a obesidade e distúrbios metabólicos tem sido associados à flora intestinal.
  • Seu intestino abriga uma intricada rede neural com mais de 100 milhões de neurônios e produz uma gama de neurotransmissores como a serotonina, norepinefrina, acetilcolina e óxido nítrico, e também hormônios.

A evidência científica que atribui papel preponderante ao intestino na etiologia da depressão foi publicada na revista “Neuroendocrinology Letters” de 2008. Vamos tentar resumir a “ópera”:  desequilíbrios na função de barreira do intestino,  causados por hábitos alimentares inadequados, álcool,  uso prolongado de antibióticos, antiinflamatórios, stress, etc, levariam a alteração significativa da flora intestinal(Disbiose) e alteração da permeabilidade intestinal. Isto levaria a maior translocação bacteriana, isto é, maior quantidade de bactérias do intestino teriam acesso à corrente circulatória causando uma resposta imunológica inflamatória com repercussões neurodegenerativas no cérebro, alterando vias metabólicas da formação de serotonina  e produzindo menor disponibilidade deste neurotransmissor e também de outros. Esta resposta inflamatória causada por um intestino disfuncional é acompanhada por níveis diminuídos de ácidos graxos ômega3 e zinco. 

Os autores deste estudo concluem que a disfunção intestinal desempenha um papel fundamental na fisiopatologia inflamatória da depressão, e também de muitas outras doenças. Estudos têm demonstrado que pacientes com sind. do cólon irritável, fadiga crônica, diabetes, artrite reumatóide, e muitas outras doenças crônicas, tem aleração da permeabilidade intestinal.

A partir destas descobertas, abre-se um novo leque terapêutico em relação à depressão. Em post anterior publiquei aqui como a chamada inflamação oculta pode estar minando sua saúde. Os hábitos de vida modernos como alimentação deficiente (excesso de açúcares simples, carência de fibras e nutrientes essenciais), stress das grandes cidades, poluição por campos eletromagnéticos, uso indiscriminado de medicamentos, tem alterado significativamente a saúde do nosso intestino. A falta de uma visão holística por parte dos profissionais de saúde (e a culpa não é deles- é de formação) faz com que muitas vezes se trate apenas os sintomas e não a causa básica.

“A Estrada para saúde é pavimentada por um intestino saudável”


Fonte:
Mae M, Kudera M, Leunis JC. The gut–brain barrier in major depression: intestinal mucosal dysfunction with an increased translocation of LPS from gram negative bacteria (leaky gut) plays a role in the inflammatory pathophysiology of depression. Neuro Endocrinol Lett ( 2008;) 29:: 117–24.

domingo, 15 de agosto de 2010

Uso de suplementos de cálcio pode aumentar o risco de infarto agudo do miocárdio

 Em post anterior(“Baixos níveis de cálcio na alimentação podem reduzir a vida”), apresentei aqui estudo mostrando o beneficio de níveis ótimos de ingestão de cálcio na dieta sobre a longevidade dos indivíduos.  No entanto, começam a surgir evidências de que o uso de suplementos de cálcio pode ter efeitos bem diferentes do cálcio que se ingere nos alimentos.

Embora  milhões de pessoas façam uso de suplementos de cálcio para prevenir osteoporose e reduzir o risco de fraturas, segundo estudo publicado recentemente na edição de Julho do “British Medical Journal”, pesquisadores da Nova Zelandia afirmam que o uso de suplementos de cálcio pode ter impacto muito pequeno na saúde dos ossos e aumentar o risco de um infarto agudo do miocárdio.

O estudo em questão trata-se de uma metanálise de 11 estudos clínicos controlados que envolveram participação de 11.921 participantes que foram acompanhados durante um período médio de 4 anos. Para que não está acostumado ao jargão científico, uma metanálise é a análise conjunta de estudos científicos já publicados, e que no caso em questão, se buscou encontrar uma correlação entre uso de suplementos de cálcio (sem vitamina D associada) e um evento cardiovascular(Infarto do miocárdio e AVC). A análise dos resultados mostrou que o uso de suplementos de cálcio esteve associado a um aumento de cerca de 30% no risco de um infarto agudo do miocárdio em indivíduos com idade superior a 40 anos. Os autores também encontraram um aumento, embora estatisticamente não significativo, no risco de morte por AVC (acidente vascular cerebral). Os participantes deste estudo estavam fazendo uso de uma dose de cálcio em forma de suplemento, de mais de 500 mg por dia.

Estudos anteriores já haviam relatado que o uso de suplementos de cálcio em pacientes com insuficiência renal promoviam calcificações nos vasos e aumentou a mortalidade neste grupo.

Os autores do estudo argumentam que o aumento do risco de infarto nos indivíduos fazendo uso de suplementos de cálcio provavelmente deve-se a um aumento nos níveis de cálcio no sangue, que em estudos epidemiológicos mostrou associação positiva com incidência aumentada de infarto. Como o cálcio dos alimentos produz elevações bem menores nos níveis de cálcio que os suplementos, provavelmente por este motivo não aumenta o risco cardiovascular.

Os idosos e com outros fatores de risco para doença cardiovascular provavelmente fariam bem em evitar o uso de suplementos de cálcio.

Ainda em relação ao cálcio, temos evidência científica mostrando um efeito protetor dos níveis de cálcio ingerido na dieta em relação à obesidade. Mas isto vai ser assunto para outro "post".

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Maior ingestão de magnésio na dieta está associada a menores taxas de diabetes tipo II


 Em trabalho publicado na edição de Abril/2010 do periódico científico Journal of the American College of Nutrition, pesquisadores japoneses reportaram uma significativa associação entre maior ingesta do mineral magnésio e menor risco de desenvolver diabetes tipo II.

Hiroyasu Iso,  da Universidade de Osaka(Japão) e colaboradores avaliaram dados de 17592 indivíduos de ambos os sexos, com idade entre 40 e 79 anos que fizeram parte do “estudo colaborativo de coorte para avaliação do risco de câncer”. Os participantes foram avaliados através de questionários para determinação da ingesta total de magnésio, e acompanhados no decorrer de um período de 5 anos. Fontes primárias para o mineral magnésio incluíam cereais, vegetais, feijões e peixes.

Ao final do período de 5 anos de acompanhamento, 459 novos casos de diabetes foram relatados. Os participantes de sexo masculino estabelecidos no quartile superior de ingesta de magnésio tiveram uma redução de 36% no risco de desenvolver diabetes em relação àqueles homens no quartile inferior de ingesta de magnésio. Em relação às mulheres, a redução do risco foi de 32% quando as mulheres no quartile superior de ingesta de magnésio foram comparadas às mulheres no quartile inferior de ingesta de magnésio.


O magnésio desempenha um papel fundamental como cofator de várias enzimas envolvidas no metabolismo dos carboidratos, e uma deficiência deste mineral pode aumentar a resistência periférica à ação da insulina e prejudicar a utilização da glicose. Estudos anteriores relatam a associação de menores níveis plasmáticos de magnésio em população branca com maior risco de Diabetes. Alguns estudos também apontam benefícios com a suplementação de magnésio em relação à taxa de glicose em jejum tanto em pacientes diabéticos como em não dabéticos. Este é o primeiro estudo que avalia a interação ingesta de magnésio x diabetes em uma população exclusivamente asiática e com certeza vai contribuir para o desenvolvimento de uma política nacional para ajudar na prevenção e controle desta devastadora doença.

A ingestão diária de  magnésio recomendada (RDA) é de 400 mg para adultos do sexo masculino e 300 mg para adultos do sexo femenino. As principais fontes de magnésio na dieta são cereais, feijões, soja, castanhas, vegetais de folhas verdes e peixes.
 

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Deficiências Nutricionais causadas por drogas antidiabéticas orais

 Na classe que constitui o grupo dos chamados antidiabéticos orais, temos dois grupos farmacológicos de medicamentos: as sulfoniluréias e as biguanidas. O grupo das sulfonilureias inclui um maior número de drogas como a  clorpropramida, glipizida( segundo antidiabético mais vendido nos EUA), glibenclamida, acetohexamida e tolazamida. Estudos apontam que estas drogas promovem inibição de enzimas que são necessárias para a síntese de um importante antioxidante mitocondrial chamado Coenzima Q10. Deste grupo, a clorpropramida e tolbutamida foram as únicas que parecem não interferir na síntese de CoQ10.

A Coenzima Q10 exerce um papel crítico na proteção do DNA mitocondrial e também tem uma participação ativa na fisiologia muscular e cardiovascular. Baixos níveis de CoQ10 podem estar associados a hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, aumento do risco de isquemia coronariana, baixos níveis de energia e enfraquecimento do sistema imunológico. O sistema imunológico torna-se comprometido quando o potencial antioxidante da CoQ10 é muito alterado, o que vai implicar em maior potencial de dano oxidativo por radicais livres e envelhecimento biológico mais acelerado. No que se refere ao status nutricional da CoQ10, temos que destacar aqui que também as drogas redutoras de colesterol chamadas estatinas, também provocam depleção deste importante nutriente, fato que está associado à toxicidade muscular provocada por estes medicamentos.

O estudo que documentou e relatou o problema da depleção de CoQ10 pelos antidiabéticos orais do grupo das sulfoniluréias tem por título “BioEnergetics in Clinical Medicine: Studies on Coenzyme Q10 and Diabetes Mellitus.” Neste estudo os autores apontam que a acetohexamida, gliburida e tolazemida inibem NADH-oxidase, uma enzima relacionada à síntese de Co10. Na conclusão deles, afirmam “uma deficiência de CoQ10 no pâncreas poderia prejudicar toda a bioenergética celular, a geração de ATP e a biosíntese de insulina.” Este é um ponto de destaque: estes autores estão nos dizendo que a deficiência de CoQ10 no pâncreas poderia diminuir a geração de energia na célula beta pancreática a ponto de comprometer até mesmo a produção de insulina. Por este motivo, provavelmente seria produtivo suplementar a CoQ10 em indivíduos diabéticos fazendo uso de medicação antidiabética do grupo das sulfonilureias. 

A droga antidiábética mais importante do grupo das biguanidas é a Metformina(Gliphage, Glucovance, etc). Inclusive é este o medicamento antidiabético mais vendido nos EUA e Brasil. A Metformina pode causar depleção de CoQ10, Vitamina B12 e Ácido Fólico. A interação metformina x vitamina b12 pode causar uma deficiência nutricional potencialmente séria. De acordo com um estudo na revista Diabetologia entitulado “Malabsorption of Vitamin B12 and Intrinsic Factor Secretion During Biguanide Therapy,” 30% dos pacientes diabéticos observados no estudo apresentaram má absorção de vitamina B12. A descontinuação da medicação resultou em normalização da absorção de B12 em apenas metade dos indivíduos. A outra metade apresentou secreção inadequada do fator intrínseco por tempo prolongado, o que significa permanentemente  baixos níveis de absorção de B12. A deficiência de vitamina B12 pode causar anemia perniciosa, fraqueza generalizada, glossite(alterações inflamatórias na superfície da língua), Dispnéia(falta de ar), depressão, sintomas neurológicos (parestesias, dormências, formigamentos), etc. Os idosos estão mais sujeitos a deficiência de B12 por conta da diminuição do fator intrínseco nesta faixa da população.
A suplementação nutricional pode ser usada para prevenir ou tratar deficiências nutricionais induzidas por drogas. Em muitos casos, isto pode até aumentar a eficácia do tratamento, reduzir a incidência de efeitos colaterais e contribuir para uma melhor qualidade de vida.

NOTA: Se você estiver fazendo uso de algum medicamento citado neste artigo, por favor, não interrompa o uso do seu medicamento sem conhecimento do seu médico. Ele é o único que pode avaliar adequadamente cada situação e decidir sobre a melhor conduta.

Fontes:

1. Pongchaidecha, et al. “Effect of metformin on plasma homocysteine, vitamin B12 and folic acid: a cross-sectional study in patients with type 2 diabetes mellitus,” J Med Assoc Thai. 2004; 87: 780-87. 

2. Wulffele, et al. “Effects of short-term treatment with metformin on serum levels of homocysteine, folate and vitamin B12 in type 2 diabetes mellitus: a randomized placebo-controlled trial,” J Intern Med. 2003; 254: 455-63.

3. Kishi T, et al. J Med. 1976; 7(3-4): 307-21.

4. Adams JF, et al. Diabetologia. 1983 Jan; 24(1): 16-18.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Deficiências nutricionais induzidas por medicamentos

Um aspecto pouco considerado, e até mesmo desconhecido acerca dos efeitos dos medicamentos no organismo, é a capacidade que muitos possuem de produzir ou agravar deficiências nutricionais. Segundo o Ph.D Ross Pelton, autor do livro "The Nutritional Cost of Prescription Drugs", 15 das 20 drogas mais prescritas nos EUA podem induzir deficiências de um ou mais nutrientes.

Drogas comumente prescritas que podem causar deficiências nutricionais incluem:
 
  • Contraceptivos orais
  • Hormônios usados em terapia de reposição hormonal  
  • Anticonvulsivantes  
  • Antidiabéticos 
  • Antihipertensivos  
  • Antiinflammatórios (ibuprofeno, aspirina, etc)
  • Antiácidos (Bloqueadores H2 e bloq. de bomba de prótons-omeprazol, pantoprazol, etc.)  
  • Estatinas( medicamentos para controle do colesterol)
  • Betabloqueadores  
  • Fenotiazidas 
  • Antidepressivos tricíclicos 
  • Benzodiazepínicos 
  • Antibioticos
 
Como observamos, medicamentos de várias categorias e comumente prescritos podem causar alterações importantes no status nutricional dos indivíduos. Neste post abordarei as repercussões nutricionais causadas por duas categorias de drogas comumente prescritas: os contraceptivos orais e os medicamentos antidiabéticos.
 
Deficiências nutricionais causadas pelos contraceptivos orais (anticoncepcionais)
 
Foi ainda na década de 70 que a literatura científica começou a apontar as interações dos contraceptivos orais com vários nutrientes. Hoje numerosos estudos documentam o fato de que os contraceptivos orais depletam do organismo vários nutrientes como vitaminas do complexo B, Ácido Fólico, vitamina C, Magnésio, Selênio, Zinco e o aminoácido Tirosina.
 
Primeiramente vejamos os problemas de saúde associados com a redução do ácido fólico em mulheres que fazem uso de contraceptivos orais, tendo em mente que outras categorias de medicamentos que também depletam ácido fólico incluem: antiácidos, antibióticos, anticonvulsivantes, antidiabéticos orais, antiinflamatórios e aspirina.
 
Problemas de saúde associados com deficiência de ácido fólico incluem anemia, má formações fetais, displasia do colo do útero, que é uma condição pré cancerosa caracterizada por anormalidades celulares detectadas nos exames preventivos ginecológicos. Muitas mulheres com displasia do colo do útero terminam sofrendo histerectomia. Infelizmente, milhares de mulheres tem seus úteros retirados cirurgicamente a cada ano. Provavelmente, muitas destas cirurgias seriam prevenidas com um aporte adequado de ácido fólico e com a correção dos déficits nutricionais subjacentes. Outros problemas de saúde associados com a deficiência de ácido fólico incluem depressão, e provavelmente aumento do risco de câncer de mama e coloretal. A maioria dos estudos publicados mostram que a concentração de folato no plasma está inversamente associada com o risco de desenvolver câncer de mama.
 
Vitaminas do complexo B como acido Fólico, Vitamina B6 e vitamina B12 são necessárias para metabolizar o tóxico aminoácido Homocisteina. Níveis elevados de homocisteina constituem um fator de risco importante na origem da doença arterial coronariana e do infarto do miocárdio. Todas estas 3 vitaminas sofrem reduções com uso de contraceptivos orais. Portanto, mulheres que tomam contraceptivos orais por tempo prolongado podem muito bem estar aumentando o seu risco de desenvolver doença cardiovascular. A vitamina B6 também é necessária para conversão do aminoácido Triptofano em Serotonina, importante neurotransmissor cerebral. Portanto, a depleção de vitamina B6 induzida por uso de contraceptivos orais pode prejudicar a síntese de serotonina cerebral, o que pode aumentar a probabilidade desta mulher vir a apresentar um quadro depressivo. Em um estudo, um terço das mulheres tomando contraceptivos orais por 2 a 5 anos apresentaram quadro compatível com depressão. No cérebro, a serotonina sofre conversão em melatonina, que é um neurohormônio que participa no processo de indução natural do sono. Por esta razão, a deficiência de vitamina B6 causada por contraceptivos orais também aumenta a chance da mulher desenvolver insônia e outras desordens do sono.
 
Outros estudos tem apontado que o uso de contraceptivos orais também causam um significativo declínio nos níveis de vitamina C. Em um estudo, mulheres tomando tanto doses altas como doses baixas de contraceptivos foram avaliadas. Os resultados revelaram que estas mulheres tiveram uma redução de 30 a 42% nos níveis circulantes de vitamina C. Alguns dos problemas associados com deficiência de vitamina C incluem deficiência imunológica, cicatrização deficiente e sangramentos de mucosas, entre outras coisas.
 
Outros estudos também tem relatado que mulheres que fazem uso de contraceptivos orais também tem níveis menores de zinco. O zinco é um mineral indispensável para o bom funcionamento do sistema imunológico e pode aumentar a susceptibilidade do indi víduo de contrair uma infecção.
 
Contraceptivos orais também depletam Magnésio. Portanto, mulheres que fazem uso de pílulas anticoncepcionais são mais suscetíveis de se tornarem deficientes em magnésio. Deficiência de magnésio está associada a maior incidência de osteoporose, fraqueza muscular, ansiedade, insônia, e depressão, bem como problemas relacionados ao sistema cardiovascular, como arritmias cardíacas, hipertensão arterial, fenômenos tromboembólicos e aumento de riscode infarto do miocárdio.
 
No próximo post continuaremos este assunto tratando dos riscos nutricionais associados às drogas antidiabéticas o

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Intolerância a glúten: mais comum que muita gente pensa


Estou sempre batendo na mesma tecla. Muitas vezes a diferença entre saúde e doença reside em um detalhe. Simples como deixar de comer um determinado tipo de alimento e substituí-lo por outro. Segundo  o "Princípio de Pareto", muito utilizado no contexto da economia e política, 80% de nossos resultados ou efeitos advém de apenas 20% de nossas ações. Isto se aplica perfeitamente também a nossa saúde.Quando alguém descobre que é intolerante a Glúten, esta descoberta pode ser a diferença entre uma qualidade de vida ótima ou péssima.

O que é Glúten?

Glúten corresponde à fração proteica encontrada nos seguintes grãos e derivados: trigo, centeio,cevada e aveia.Quando alguém é intolerante ao glúten, o componente mais implicado no fenômeno é uma proteína chamada Gliadina. O glúten da farinha de trigo confere a este produto algumas propriedades que a tornam bastante atrativa para a indústria da panificação. As principais são a "viscoelasticidade" e "coesividade". Diferentemente do amido de milho ou de arroz, a farinha de trigo forma uma liga melhor quando misturada com água, o que permite uma melhor manipulação do produto. Quem já viu aquelas acrobacias que os pizzaiolos fazem com a massa sabem do que estou falando.
O trigo é constituido de 75% de carboidrato(amido) e 10-15% de proteina. 80% da fração proteica do trigo corresponde ao glúten. Os outros 20% que correspondem à fração proteica não glúten do trigo incluem albuminas, prolaminas e globulinas.

Intolerância ao glúten e Doença Celíaca.

Intolerância ou sensibilidade ao glúten é uma condição que resulta da incapacidade de muitos organismos em digerir adequadamente a proteina gliadina. A presença de macromoléculas de gliadina "mau digeridas" leva a processos de ativação imunológica, com formação de auto anticorpos. Neste processo, um dos alvos principais é a mucosa do intestino delgado que passa a ser agredida e e começa a sofrer alterações estruturais. A forma mais grave de intolerância ao glúten é conhecida como Doença Celíaca. Na doença Celíaca, também conhecida como "Enteropatia por Glúten" a reação auto imune desencadeada pela gliadina, provoca alteração estrutural importante da mucosa intestinal com "achatamento" das vilosidades intestinais(processo conhecido como atrofia vilosa).O intestino delgado humano possui aproximadamente entre 3 a 8 metro de extensão. São estas vilosidades da mucosa intestinal que permitem um incremento extraordinário na superfície de absorção deste intestino, o que equivaleria a uma superfície de absorção de aproximadamente 200 m2, ou seja, a área de uma quadra de tênis.
Nestas vilosidades intestinais ocorre a absorção dos nutrientes através da parede intestinal para a corrente circulatória. Á medida que as alterações estruturais da doença celíaca se estabelecem nas vilosidades intestinais, com redução significativa da superfície de absorção, o indivíduo acometido por esta enfermidade torna-se desnutrido, não importa quanto alimento ele ingere. Portanto, Doença Celíaca é uma doença caracterizada tanto por uma má absorção intestinal, quanto por reação autoimune anormal desencadeada pelo glúten. Tem um componente genético importante, e algumas vezes a doença se manifesta ou é desencadeada pela primeira vez após uma cirurgia, gravidez, infecção viral ou estresse emocional severo.
Pessoas portadoras de doença Celíaca tem maior probabiliade de apresentarem outras doenças autoimunes, como Diabetes tipo I, doença tiroideana tipo Hashimoto, Artrite reumatóide, Doença de Addison, Sindrome de Sjogren, etc.
É importante enfatizar que os testes clínicos laboratoriais ou a biósia intestinal podem determinar com grande margem de segurança que o indivíduo é portador da doença celíaca, porém um resultado negativo ou inconclusivo destes exames não significa necessariamente que este indivíduo não possua intolerância ou sensibilidade ao glúten. De fato, a maioria das pessoas que apresentam sintomas legitimos e significativos de intolerância ao glúten, não tem testes positivos a ponto de caracterizar como Doença celíaca. Estes indivíduos estão sendo diagnosticados como "Glúten sensitivos não celíacos"(GSNC)

Quais os sintoma que alguém que tem intolerância ou sensibilidade ao glúten pode apresentar?

De fato, a intolerância ao gúten pode se manifestar através de uma miríade de sintomas, muitas vezes vagos e não relacionados ao trato digestivo. O paciente intolerante ao glúten, antes de ter seu diagnóstico estabelecido, frequentemente já "rodou" por um sem número de especialistas, fez inúmeros exames, tomou ou toma diversas medicações (sintomáticas) sem resultados. Então você propõe uma dieta de exclusão "glúten free" e o paciente relata melhora significativa dos seus sintomas. Está então estabelecido o diagnóstico. Veja alguns dos sintomas como a intolerância ao glúten pode se manifestar:
  • Diarréia ou constipação intestinal peródicas
  • Alergias de pele, como dermatites, eczemas; ou respiratórias, como asma ou bronquite asmática.
  • Rinites e sinusites
  • Gases intestinais, distenção e dor abdominal 
  • Refluxo gastroesofágico (Tenho observado pacientes em uso prolongado de medicação antiácida, cuja causa básica dos sintomas é intolerância ao glúten)
  • Dores musculares e articulares (muitos quadros diagnosticados como fibromialgia tem a intolerância ao glúten como pano de fundo)
  • Depressão, Ansiedae, Hiperatividade, Oscilações do Humor
  • Fadiga Crônica inexplicável
  • Cefaléias e enxaquecas
  • Anemias recorrentes com reservas de ferro baixas que não melhoram com a suplementação deste elemento.
  • Atraso de crescimento e baixa estatura.
  • Desequilibrio hormonais (o glúten atua como disruptor endócrino, alterando o delicado equilibrio hormonal)
  • Infertilidade
  • Grande compulsão para comer derivados do trigo
  • Problemas da tiróide (alterações dos hormônios tiroideanos)
  • Etc.
Qual o tratamento para quem tem Doença Celíaca ou Intolerância ao Glúten?

O único tratamento efetivo para a doença celíaca e sintomas relacionados à intolerância ao glúten é uma dieta com restrição de glúten. Para a maioria das pessoas intolerantes ao glúten, seguir uma dieta de exclusão(sem glúten) irá melhorar o estado geral, o dano intestinal e prevenirá a progressão da doença no intestino.Os sinais de melhora usualmente começam a aparecer dias após a exclusão completa do glúten.A recuperação histológica do intestino delgado  usualmente leva de 3 a 6 meses em crianças, porém, pode levar anos em alguns adultos.

Quais as opções de substituição para quem é intolerante ao glúten?

Costumo dizer que a dieta para quem tem doença celíaca ou intolerância ao glúten é bastante simples, mas não é fácil. Por que? A farinha de trigo e seus derivados está profundamente arraizada em nossos hábitos culturais. Experimente passar um dia sem comer pão, biscoito, bolos,cereais, pizza, massas, etc e veja como você se sai. Felizmente existem opções saudáveis e também deliciosas. Apesar das restrições, o indivíduo intolerante ao glúten pode ter uma dieta variada e balanceada. Ele poderá fazer uso de alimentos como as batatas, arroz, feijão,lentilhas, mandioca, soja, quinoa, milho, etc. Em lojas especializadas encontra-se vários produtos de panificação( pães, torradas, bolachas, massas, et.) "sem glúten". Nestes casos estes produtos são feitos da farinha de batata, feijão, etc. Os mineiros, paulistas e goianos também não vão precisar abrir mão do pão de queijo. O polviho não contém glúten.
Pessoas com doença celíaca devem prestar atenção quando tem que comer fora em restaurantes, ou quando vão às compras no supermercado.Comer fora pode se tornar um desafio. Quando em dúvida, melhor consultar o rótulo e verificar os ingredientes daquele alimento ou indagar ao cozinheiro de que é feito aquele prato.
Glúten também é utilizado em alguns medicamentos e também como aditivo em molhos, empanados, e até em produtos inesperados, como batons. Por isso passar a ler os rótulos é fundamental.
Concluindo, se você suspeita que a intolerância ao glúten pode estar contribuindo para prejudicar sua saúde, procure um profissional de saúde de sua confiança para avaliar esta questão. Pessoas que são intolerantes ao glúten também estão mais sujeitas à intolerância ao leite de vaca. A literatura científica relata que um ano após o glúten ser completamente eliminado da dieta, os enterócitos (células intestinais) começam a produzir novamente quantidades adequadas de lactase.Isto precisa ser avaliado. Existe VIDA após o glúten. Com certeza uma vida melhor.

Sugestões para aprofundar-se neste tema:

  1. http://www.celiaccentral.org 
  2. http://www.gluten.net
  3. http://www.livingwithout.com