sexta-feira, 30 de julho de 2010

Deficiências nutricionais induzidas por medicamentos

Um aspecto pouco considerado, e até mesmo desconhecido acerca dos efeitos dos medicamentos no organismo, é a capacidade que muitos possuem de produzir ou agravar deficiências nutricionais. Segundo o Ph.D Ross Pelton, autor do livro "The Nutritional Cost of Prescription Drugs", 15 das 20 drogas mais prescritas nos EUA podem induzir deficiências de um ou mais nutrientes.

Drogas comumente prescritas que podem causar deficiências nutricionais incluem:
 
  • Contraceptivos orais
  • Hormônios usados em terapia de reposição hormonal  
  • Anticonvulsivantes  
  • Antidiabéticos 
  • Antihipertensivos  
  • Antiinflammatórios (ibuprofeno, aspirina, etc)
  • Antiácidos (Bloqueadores H2 e bloq. de bomba de prótons-omeprazol, pantoprazol, etc.)  
  • Estatinas( medicamentos para controle do colesterol)
  • Betabloqueadores  
  • Fenotiazidas 
  • Antidepressivos tricíclicos 
  • Benzodiazepínicos 
  • Antibioticos
 
Como observamos, medicamentos de várias categorias e comumente prescritos podem causar alterações importantes no status nutricional dos indivíduos. Neste post abordarei as repercussões nutricionais causadas por duas categorias de drogas comumente prescritas: os contraceptivos orais e os medicamentos antidiabéticos.
 
Deficiências nutricionais causadas pelos contraceptivos orais (anticoncepcionais)
 
Foi ainda na década de 70 que a literatura científica começou a apontar as interações dos contraceptivos orais com vários nutrientes. Hoje numerosos estudos documentam o fato de que os contraceptivos orais depletam do organismo vários nutrientes como vitaminas do complexo B, Ácido Fólico, vitamina C, Magnésio, Selênio, Zinco e o aminoácido Tirosina.
 
Primeiramente vejamos os problemas de saúde associados com a redução do ácido fólico em mulheres que fazem uso de contraceptivos orais, tendo em mente que outras categorias de medicamentos que também depletam ácido fólico incluem: antiácidos, antibióticos, anticonvulsivantes, antidiabéticos orais, antiinflamatórios e aspirina.
 
Problemas de saúde associados com deficiência de ácido fólico incluem anemia, má formações fetais, displasia do colo do útero, que é uma condição pré cancerosa caracterizada por anormalidades celulares detectadas nos exames preventivos ginecológicos. Muitas mulheres com displasia do colo do útero terminam sofrendo histerectomia. Infelizmente, milhares de mulheres tem seus úteros retirados cirurgicamente a cada ano. Provavelmente, muitas destas cirurgias seriam prevenidas com um aporte adequado de ácido fólico e com a correção dos déficits nutricionais subjacentes. Outros problemas de saúde associados com a deficiência de ácido fólico incluem depressão, e provavelmente aumento do risco de câncer de mama e coloretal. A maioria dos estudos publicados mostram que a concentração de folato no plasma está inversamente associada com o risco de desenvolver câncer de mama.
 
Vitaminas do complexo B como acido Fólico, Vitamina B6 e vitamina B12 são necessárias para metabolizar o tóxico aminoácido Homocisteina. Níveis elevados de homocisteina constituem um fator de risco importante na origem da doença arterial coronariana e do infarto do miocárdio. Todas estas 3 vitaminas sofrem reduções com uso de contraceptivos orais. Portanto, mulheres que tomam contraceptivos orais por tempo prolongado podem muito bem estar aumentando o seu risco de desenvolver doença cardiovascular. A vitamina B6 também é necessária para conversão do aminoácido Triptofano em Serotonina, importante neurotransmissor cerebral. Portanto, a depleção de vitamina B6 induzida por uso de contraceptivos orais pode prejudicar a síntese de serotonina cerebral, o que pode aumentar a probabilidade desta mulher vir a apresentar um quadro depressivo. Em um estudo, um terço das mulheres tomando contraceptivos orais por 2 a 5 anos apresentaram quadro compatível com depressão. No cérebro, a serotonina sofre conversão em melatonina, que é um neurohormônio que participa no processo de indução natural do sono. Por esta razão, a deficiência de vitamina B6 causada por contraceptivos orais também aumenta a chance da mulher desenvolver insônia e outras desordens do sono.
 
Outros estudos tem apontado que o uso de contraceptivos orais também causam um significativo declínio nos níveis de vitamina C. Em um estudo, mulheres tomando tanto doses altas como doses baixas de contraceptivos foram avaliadas. Os resultados revelaram que estas mulheres tiveram uma redução de 30 a 42% nos níveis circulantes de vitamina C. Alguns dos problemas associados com deficiência de vitamina C incluem deficiência imunológica, cicatrização deficiente e sangramentos de mucosas, entre outras coisas.
 
Outros estudos também tem relatado que mulheres que fazem uso de contraceptivos orais também tem níveis menores de zinco. O zinco é um mineral indispensável para o bom funcionamento do sistema imunológico e pode aumentar a susceptibilidade do indi víduo de contrair uma infecção.
 
Contraceptivos orais também depletam Magnésio. Portanto, mulheres que fazem uso de pílulas anticoncepcionais são mais suscetíveis de se tornarem deficientes em magnésio. Deficiência de magnésio está associada a maior incidência de osteoporose, fraqueza muscular, ansiedade, insônia, e depressão, bem como problemas relacionados ao sistema cardiovascular, como arritmias cardíacas, hipertensão arterial, fenômenos tromboembólicos e aumento de riscode infarto do miocárdio.
 
No próximo post continuaremos este assunto tratando dos riscos nutricionais associados às drogas antidiabéticas o

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Intolerância a glúten: mais comum que muita gente pensa


Estou sempre batendo na mesma tecla. Muitas vezes a diferença entre saúde e doença reside em um detalhe. Simples como deixar de comer um determinado tipo de alimento e substituí-lo por outro. Segundo  o "Princípio de Pareto", muito utilizado no contexto da economia e política, 80% de nossos resultados ou efeitos advém de apenas 20% de nossas ações. Isto se aplica perfeitamente também a nossa saúde.Quando alguém descobre que é intolerante a Glúten, esta descoberta pode ser a diferença entre uma qualidade de vida ótima ou péssima.

O que é Glúten?

Glúten corresponde à fração proteica encontrada nos seguintes grãos e derivados: trigo, centeio,cevada e aveia.Quando alguém é intolerante ao glúten, o componente mais implicado no fenômeno é uma proteína chamada Gliadina. O glúten da farinha de trigo confere a este produto algumas propriedades que a tornam bastante atrativa para a indústria da panificação. As principais são a "viscoelasticidade" e "coesividade". Diferentemente do amido de milho ou de arroz, a farinha de trigo forma uma liga melhor quando misturada com água, o que permite uma melhor manipulação do produto. Quem já viu aquelas acrobacias que os pizzaiolos fazem com a massa sabem do que estou falando.
O trigo é constituido de 75% de carboidrato(amido) e 10-15% de proteina. 80% da fração proteica do trigo corresponde ao glúten. Os outros 20% que correspondem à fração proteica não glúten do trigo incluem albuminas, prolaminas e globulinas.

Intolerância ao glúten e Doença Celíaca.

Intolerância ou sensibilidade ao glúten é uma condição que resulta da incapacidade de muitos organismos em digerir adequadamente a proteina gliadina. A presença de macromoléculas de gliadina "mau digeridas" leva a processos de ativação imunológica, com formação de auto anticorpos. Neste processo, um dos alvos principais é a mucosa do intestino delgado que passa a ser agredida e e começa a sofrer alterações estruturais. A forma mais grave de intolerância ao glúten é conhecida como Doença Celíaca. Na doença Celíaca, também conhecida como "Enteropatia por Glúten" a reação auto imune desencadeada pela gliadina, provoca alteração estrutural importante da mucosa intestinal com "achatamento" das vilosidades intestinais(processo conhecido como atrofia vilosa).O intestino delgado humano possui aproximadamente entre 3 a 8 metro de extensão. São estas vilosidades da mucosa intestinal que permitem um incremento extraordinário na superfície de absorção deste intestino, o que equivaleria a uma superfície de absorção de aproximadamente 200 m2, ou seja, a área de uma quadra de tênis.
Nestas vilosidades intestinais ocorre a absorção dos nutrientes através da parede intestinal para a corrente circulatória. Á medida que as alterações estruturais da doença celíaca se estabelecem nas vilosidades intestinais, com redução significativa da superfície de absorção, o indivíduo acometido por esta enfermidade torna-se desnutrido, não importa quanto alimento ele ingere. Portanto, Doença Celíaca é uma doença caracterizada tanto por uma má absorção intestinal, quanto por reação autoimune anormal desencadeada pelo glúten. Tem um componente genético importante, e algumas vezes a doença se manifesta ou é desencadeada pela primeira vez após uma cirurgia, gravidez, infecção viral ou estresse emocional severo.
Pessoas portadoras de doença Celíaca tem maior probabiliade de apresentarem outras doenças autoimunes, como Diabetes tipo I, doença tiroideana tipo Hashimoto, Artrite reumatóide, Doença de Addison, Sindrome de Sjogren, etc.
É importante enfatizar que os testes clínicos laboratoriais ou a biósia intestinal podem determinar com grande margem de segurança que o indivíduo é portador da doença celíaca, porém um resultado negativo ou inconclusivo destes exames não significa necessariamente que este indivíduo não possua intolerância ou sensibilidade ao glúten. De fato, a maioria das pessoas que apresentam sintomas legitimos e significativos de intolerância ao glúten, não tem testes positivos a ponto de caracterizar como Doença celíaca. Estes indivíduos estão sendo diagnosticados como "Glúten sensitivos não celíacos"(GSNC)

Quais os sintoma que alguém que tem intolerância ou sensibilidade ao glúten pode apresentar?

De fato, a intolerância ao gúten pode se manifestar através de uma miríade de sintomas, muitas vezes vagos e não relacionados ao trato digestivo. O paciente intolerante ao glúten, antes de ter seu diagnóstico estabelecido, frequentemente já "rodou" por um sem número de especialistas, fez inúmeros exames, tomou ou toma diversas medicações (sintomáticas) sem resultados. Então você propõe uma dieta de exclusão "glúten free" e o paciente relata melhora significativa dos seus sintomas. Está então estabelecido o diagnóstico. Veja alguns dos sintomas como a intolerância ao glúten pode se manifestar:
  • Diarréia ou constipação intestinal peródicas
  • Alergias de pele, como dermatites, eczemas; ou respiratórias, como asma ou bronquite asmática.
  • Rinites e sinusites
  • Gases intestinais, distenção e dor abdominal 
  • Refluxo gastroesofágico (Tenho observado pacientes em uso prolongado de medicação antiácida, cuja causa básica dos sintomas é intolerância ao glúten)
  • Dores musculares e articulares (muitos quadros diagnosticados como fibromialgia tem a intolerância ao glúten como pano de fundo)
  • Depressão, Ansiedae, Hiperatividade, Oscilações do Humor
  • Fadiga Crônica inexplicável
  • Cefaléias e enxaquecas
  • Anemias recorrentes com reservas de ferro baixas que não melhoram com a suplementação deste elemento.
  • Atraso de crescimento e baixa estatura.
  • Desequilibrio hormonais (o glúten atua como disruptor endócrino, alterando o delicado equilibrio hormonal)
  • Infertilidade
  • Grande compulsão para comer derivados do trigo
  • Problemas da tiróide (alterações dos hormônios tiroideanos)
  • Etc.
Qual o tratamento para quem tem Doença Celíaca ou Intolerância ao Glúten?

O único tratamento efetivo para a doença celíaca e sintomas relacionados à intolerância ao glúten é uma dieta com restrição de glúten. Para a maioria das pessoas intolerantes ao glúten, seguir uma dieta de exclusão(sem glúten) irá melhorar o estado geral, o dano intestinal e prevenirá a progressão da doença no intestino.Os sinais de melhora usualmente começam a aparecer dias após a exclusão completa do glúten.A recuperação histológica do intestino delgado  usualmente leva de 3 a 6 meses em crianças, porém, pode levar anos em alguns adultos.

Quais as opções de substituição para quem é intolerante ao glúten?

Costumo dizer que a dieta para quem tem doença celíaca ou intolerância ao glúten é bastante simples, mas não é fácil. Por que? A farinha de trigo e seus derivados está profundamente arraizada em nossos hábitos culturais. Experimente passar um dia sem comer pão, biscoito, bolos,cereais, pizza, massas, etc e veja como você se sai. Felizmente existem opções saudáveis e também deliciosas. Apesar das restrições, o indivíduo intolerante ao glúten pode ter uma dieta variada e balanceada. Ele poderá fazer uso de alimentos como as batatas, arroz, feijão,lentilhas, mandioca, soja, quinoa, milho, etc. Em lojas especializadas encontra-se vários produtos de panificação( pães, torradas, bolachas, massas, et.) "sem glúten". Nestes casos estes produtos são feitos da farinha de batata, feijão, etc. Os mineiros, paulistas e goianos também não vão precisar abrir mão do pão de queijo. O polviho não contém glúten.
Pessoas com doença celíaca devem prestar atenção quando tem que comer fora em restaurantes, ou quando vão às compras no supermercado.Comer fora pode se tornar um desafio. Quando em dúvida, melhor consultar o rótulo e verificar os ingredientes daquele alimento ou indagar ao cozinheiro de que é feito aquele prato.
Glúten também é utilizado em alguns medicamentos e também como aditivo em molhos, empanados, e até em produtos inesperados, como batons. Por isso passar a ler os rótulos é fundamental.
Concluindo, se você suspeita que a intolerância ao glúten pode estar contribuindo para prejudicar sua saúde, procure um profissional de saúde de sua confiança para avaliar esta questão. Pessoas que são intolerantes ao glúten também estão mais sujeitas à intolerância ao leite de vaca. A literatura científica relata que um ano após o glúten ser completamente eliminado da dieta, os enterócitos (células intestinais) começam a produzir novamente quantidades adequadas de lactase.Isto precisa ser avaliado. Existe VIDA após o glúten. Com certeza uma vida melhor.

Sugestões para aprofundar-se neste tema:

  1. http://www.celiaccentral.org 
  2. http://www.gluten.net
  3. http://www.livingwithout.com



    domingo, 4 de julho de 2010

    Chocolate: bom ou ruim para o humor?

    A pesquisa científica está comprovando o que o senso comum já havia captado há tempos. As pessoas tendem a comer mais chocolate quando estão se sentindo mais tristes e deprimidas. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Escola de medicina de San Diego, constataram que mulheres e homens comem mais chocolate à medida que aumentam os sintomas de depressão, sugerindo uma associação entre o humor e o chocolate. Este estudo foi publicado no Archives of Internal Medicine, edição de abril.

    O estudo envolveu a participação de 1000 indivíduos que não utilizavam medicação antidepressiva e tinham boa saúde. Os indivíduos estudados registravam quantas porções de chocolate eles consumiam em uma semana, e tiveram seu estado de humor periodicamente avaliado pela Escala de depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos. Os pesquisadores observaram que homens e mulheres que apresentavam os scores mais altos para depressão, consumiaram quase 12 porções de chocolate por mês. Aqueles com scores menores consumiram cerca de 8 porções, e aqueles com os scores mais baixos consumiram 5 porções por mês.

    Segundo Beatrice Golomb, uma das autoras do estudo, os resultados não parecem ser explicados por um aumento geral na ingestão de cafeína, gordura, carboidrato ou de energia, sugerindo que os achados são específicos do chocolate.

    Poderiamos a partir deste estudo concluir que chocolate pode causar depressão? Não! Em pesquisa científica precisamos diferenciar entre associação e causa. O que o trabalho mostra é que existe uma associação entre humor deprimido x comer chocolate.De fato, pode até acontecer o contrário. Se o chocolate ajuda a melhorar o humor, como estudos anteriores tem sugerido, pode ser que aquelas pessoas com sintomas depressivos estejam simplesmente se “automedicando” ao comer chocolate.

    Chocolate e depressão

    Como o chocolate ajuda a melhorar o humor? O chocolate estimula a liberação de neurotransmissores associados à sensação de prazer, incluindo a dopamina e Serotonina. A serotonina cerebral é produzida a partir do aminoácido essencial Triptofano. No entanto, para o triptofano chegar ao cérebro e ser convertido em serotonina, ele precisa atravessar uma barreira anatômica chamada barreira hematoencefálica. Para cruzar a barreira hematoencefálica o triptofano sofre competição com outros aminoácidos neutros e de grande cadeia molecular, como a tirosina, fenilalanina, isoleucina, valina e metionina, o que dificulta bastante a entrada desse triptofano e a sua conversão posterior em serotonina. Quando se come alimento com alto conteúdo de açúcar ou carboidratos simples,por ação da insulina, aumenta a captação periférica destes aminoácidos neutros, diminui a competição a nível de barreira hematoencefálica e aumenta o ingresso de triptofano no cérebro e a sua conversão em serotonina.

    Ora, o chocolate é rico em triptofano e em açúcar, o que justifica ele exercer este incremento temporário no estado de humor. É bom frisar a palavra temporário. Estudo publicado em 2007 no periódico científico Appetite encontrou que comer chocolate melhora o humor durante apenas 3 minutos. A longo prazo os prejuízos causados pela excessiva ingesta de açúcar que espolia magnésio, zinco e outros nutrientes importantes para o organismo pode produzir até um agravamento do quando depressivo. Daí porque os indivíduos “chocólatras” que procuram o chocolate para se sentirem melhor, deverão ser encorajados a implementar mudanças em seu estilo de vida, com atividade física regular, alimentação saudável, gerenciamento do stress,  psicoterapia ou farmacoterapia, quando necessário.
    Além dos seus efeitos no humor, o chocotate também é rico em antioxidantes polifenólicos (semelhantes aos do chá verde) com efeitos benéficos no sistema cardiovascular e outros orgãos.

    Fonte:

    1.Natalie Rose; Sabrina Koperski; Beatrice A. Golomb. Mood Food: Chocolate and Depressive Symptoms in a Cross-sectional Analysis. Arch Intern Med, 2010; 170 (8): 699-703

    terça-feira, 22 de junho de 2010

    Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo


    Segundo levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é o maior consumidor do mundo de agrotóxicos. Que triste recorde. O Brasil também lidera o uso de agrotóxicos banidos em outro países. Em 2009, foram vendidas aqui 780 mil toneladas de agrotóxicos, com um faturamento estimado da ordem de 8 bilhões de dólares. A cultura que mais consome agrotóxico é a soja.
     
    Para Rosany Bochner, especialista em toxicologia da Fiocruz, instituição parceira da Anvisa no trabalho de reavaliação dos agrotóxicos, “o Brasil está virando um grande depósito de porcarias. Os agrotóxicos que as empresas não conseguem vender lá fora, que têm indicativo de problemas, são empurrados para a gente”.
     
    Segundo o IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, “o consumidor brasileiro está exposto a um risco sanitário inaceitável, que exige medidas rigorosas dos órgãos governamentais responsáveis, inclusive com a punição dos infratores”.Essa denúncia decorre do levantamento e análise da Anvisa, feito de junho de 2001 a junho de 2002, onde nada menos que 81,2% das amostras analisadas (1051 casos) exibiam resíduos de agrotóxicos e 22,17% apresentavam índices que ultrapassavam os limites máximos permitidos.  O tomate, o morango e a alface são os mais contaminados.
     
    Atualmente, há cerca de 450 ativos usados na produção de agrotóxicos registrados na Anvisa e os pedidos para a concessão de mais licenças não param de chegar.Com a aplicação exagerada nas lavouras no Brasil, o uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transforma em um problema de saúde pública. Sofre o trabalhador, que aplica diretamente o pesticida, sua família, que mora dentro das plantações, e também o consumidor final. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação das fontes de água por agrotóxicos.
     
    Os estudos publicados relatam que os diferentes agrotóxicos podem causar intoxicações e sub intoxicações agudas e crônicas, contribuindo para aumentar a incidência de má formações fetais, câncer, distúrbios endócrinos, neurológicos, cardíacos e pulmonares, além de problemas psiquiátricos como depressão. Estudos sobre os impactos dos agrotóxicos no Mato Grosso, demonstram que nas regiões com maior utilização de agrotóxicos é maior a incidência de problemas de saúde agudos e crônicos.
     
    O sistema de produção de alimentos moderno privilegia a quantidade em detrimento da qualidade. O consumidor precisa se informar melhor acerca do que está introduzindo em seu organismo. Neste contexto o alimento orgânico surge como melhor alternativa para proteger a nossa saúde. O produto orgânico evita problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias químicas tóxicas, protege a qualidade da água, a fertilidade do solo, a vida silvestre e são mais nutritivos. Incluir produtos orgânicos nas compras incentiva a produção e no longo prazo, e ajuda ar torna os orgânicos mais baratos.

    Fontes:









    domingo, 20 de junho de 2010

    Pimentas vermelhas podem apresentar efeitos antiobesidade


    Cientistas estão relatando nova evidência de que a capsaicina, principio ativo presente nas pimentas vermelhas, que conferem a elas aquele “ardor” típico deste condimento, pode causar perda de peso e diminuir os depósitos de gordura através de alterações benéficas em determinadas proteínas envolvidas neste processo. Estas descobertas , que podem levar a novas abordagens terapêuticas para obesidade, foram relatadas no Journal of Proteome Research.
    Jong Won Yun e colaboradores, autores do estudo, assinalam que obesidade hoje é um problema mundial de saúde pública, estritamente relacionado à incidência de doenças como hipertensão arterial, doença cardiovascular, diabetes, etc. Estudos laboratoriais tem apontado que a capsaicina pode ajudar a combater a obesidade diminuindo o consumo de calorias, aumentando o metabolismo basal, reduzindo os depósitos de gordura e melhorando os fatores de risco cardiovascular. Contudo, os mecanismos pelos quais a pimenta opera estes efeitos ainda estão sendo investigados.
    No estudo em questão, os pesquisadores alimentaram cobaias de laboratório com uma dieta obesogênica rica em gordura. Para um grupo de cobaias, além da dieta obesogênica, também receberam capsaicina da pimenta. O grupo que recebeu a capisaicina apresentou uma perda de 8% do peso corporal e alterações nos níveis de pelo menos 20 proteínas chave para o metabolismo da gordura. “ Estas alterações nos fornecem valiosos insights sobre os efeitos antiobesogênicos da capisaicina”, afirmam os autores do estudo.


    Fonte:
    1.   Joo et al. Proteomic Analysis for Antiobesity Potential of Capsaicin on White Adipose Tissue in Rats Fed with a High Fat Diet. Journal of Proteome Research, 2010; 100419142343045 DOI:

    terça-feira, 8 de junho de 2010

    Reduzir o consumo de sal nas populações pode ser a política mais barata e eficiente para reduzir mortes e gastos por doença cardiovascular

    A Organização Mundial da Saúde(OMS), estabeleceu uma meta para a redução global do consumo alimentar de sal, e lançou uma campanha pedindo aos países para que a população reduza o consumo médio de sal para menos de 5 g/dia. Esse objetivo está baseado na evidência clara que nenhuma outra medida é tão rentável ou pode ser tão eficaz para a prevenção da hipertensão e da morbidade e mortalidade causadas por doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. O consumo de sal também foi relacionado com algumas formas de câncer e doenças respiratórias.
    Estima-se que a maior parte do fardo da doença cardiovascular pode ser prevenido por meio de uma medida simples, barata e econômica – principalmente através de uma estratégia para reduzir o consumo de sal alimentar da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esta é a abordagem mais eficaz para todos os países em quaisquer condições.
    A maior parte das pessoas no mundo consomem bem mais sal do que necessitam. Segundo o Scientific Advisory Committee on Nutrition (Comitê de Consulta Científica sobre Nutrição), o consumo mais baixo de sal consistente com o estado saudável dos indivíduos ou das populações varia entre 1,75 a 2,3 g/dia; sabe-se de populações que sobrevivem com 0,5mg/0,2 mmol de sódio por dia (0,01g de sal)3. No entanto, nos países industrializados o consumo médio está em torno de 10g/dia. Alguns consomem muito mais (ex.: a Turquia teve em 2008 um consumo médio de 18,04g/dia. No Bangladesh, um estudo feito em 2008 de 100 pessoas – 50 hipertensivos e 50 normotensivos – deparou com um consumo médio de sal de 21 g/dia.5
    Em 2003, a OMS e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) emitiram um relatório conjunto pedindo à população para reduzir o consumo de sal para menos de 5g/dia.
    Um estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal revela que uma redução para  5g no consumo diário de sal, é capaz de diminuir o risco de acidente vascular cerebral em 23% e o de doenças cardiovasculares em 17%.
    Esse menor consumo de sal evitaria anualmente mais de um milhão de mortes por acidente vascular cerebral e três milhões por doenças cardiovasculares ao redor do mundo.
    Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números
    O sal de cozinha é o cloreto de sódio. Cada grama de sal contém 40% de sódio(0,4g). O sódio é um  íon essencial para o organismo. Quando o sódio é consumido em excesso, o sistema cardiovascular pode ficar sobrecarregado,porque o sódio retém água no organismo.
    Para as pessoas saudáveis, a dose máxima de sal recomendada pelo Ministério da Saúde é de 5 g por dia (2.000 mg de sódio). Os brasileiros, no entanto, consomem em média mais de 10 gramas/dia. A diminuição do consumo de sal traria tantos benefícios à população quanto o combate ao tabagismo, à obesidade e a promoção do uso de medicamentos para tratar hipertensão e os níveis elevados de colesterol.
    Para combater o abuso de sal existem duas estratégias: uma individual, outra pública. A individual é baseada na conscientização de que reduzir o consumo faz bem à saúde; a pública tem a finalidade de convencer os fabricantes de alimentos processados industrialmente a colocar menos sal em seus produtos.
    Como cerca de 70% do sódio ingerido na dieta do brasileiro médio vem dos alimentos industrializados. A conscientização individual tem impacto limitado. Cabe às autoridades responsáveis estabelecer regras que limitem a quantidade de sódio em molhos prontos, condimentos, salgadinhos, picles, conservas, pizzas, sopas de pacote, embutidos, queijos e outros alimentos. Países como Finlândia, Inglaterra, Japão e Portugal já o fizeram com resultados altamente positivos. 
    Um dos maiores problemas causados pelo excesso de sal na alimentação é o aumento dos níveis da pressão arterial. Por outro lado, uma série de estudos tem demonstrado que aumentar o consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial. Esses estudos apontam que a redução do conteúdo de sódio a longo prazo e sua substituição por potássio é capaz de reduzir o risco de doenças cardiovasculares e essa já é uma recomendação dietética consensual.

    Uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir mais frutas e verduras. Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Desde que 70% do sal da dieta provém de alimentos processados, é fundamental evitar as conservas, o "fast food", enlatados, carnes processadas e embutidos.

    Fontes:
    1. Organização Mundial da Saúde (2007) Reducing salt intake in populations: Report of a WHO forum and technical meeting, Paris 2006. p 3. www.who.int/dietphysicalactivity/Salt_Report_VC_april07.pdf.

    2. Scientific Advisory Committee on Nutrition (Comitê Científico Consultivo sobre Nutrição) (RU). (2003). Salt and Health. p 23.

    3. A comprehensive review on salt and health and current experience of worldwide salt reduction programmes (Uma análise abrangente sobre o sal e a saúde e a experiência atual dos programas globais de redução do sal). J Hum Hypertens 25 de dezembro, 1‐22. Disponível no site http://www.nature.com/jhh/journal/ vaop/ncurrent/ pdf/jhh2008144a.pdf



    4. Strazzullo, P et al. (2009). Salt intake, stroke, and cardiovascular disease: metaanalysis of prospective studies. BMJ 339: b4567. DOI:10.1136/bmj.b4567.

    segunda-feira, 7 de junho de 2010

    Níveis altos de açúcar em seu sangue podem “caramelizar” você



    Quem nunca viu como se faz uma calda de caramelo? Você aquece o açúcar com um pouco de água até ele adquirir a consistência caramelizada. Pois bem, o que talvez você não saiba, é que este processo também acontece dentro de você. O fenômeno da GLICAÇÃO, termo técnico correto para este fenômeno de caramelização, acontece quando uma molécula de açúcar como glicose ou frutose, se liga de forma não enzimática a uma molécula de proteína, gordura ou DNA, alterando, de forma reversível ou não, a estrutura e funcionamento destas moléculas.
    O fenômeno da glicação acontece em maior proporção quanto maior for o nível de açúcar na corrente sanguínea. Se os níveis de açúcar não permanecem altos por muito tempo, esta ligação, inicialmente fraca, se desfaz e a estrutura da proteína não é alterada. No entanto, se níveis altos de açúcar persistem por muito tempo na circulação, como no caso do diabetes mellitus, mais moléculas de açúcar se ligarão à proteína , e através de uma sequência de reações químicas complexas conhecidas como ”reações de maillard”, nascerá uma molécula nova conhecida pelo nome de AGE (do inglês, Advanced Glycation End-products, ou produto final de glicação avançada). 
    Considerados importantes mediadores patogênicos das complicações diabéticas, os AGEs são capazes de modificar, irreversivelmente, as propriedades químicas e funcionais das mais diversas estruturas biológicas. A pesquisa científica nos últimos 20 anos tem associado os AGEs a quase todas as complicações do Diabetes e à maioria das doenças associadas ao processo de envelhecimento, tais como:
    • Doença de Alzheimer
    • Câncer
    • Doença cardiovascular(Hipertensão arterial, AVC, Arteriosclerose, aneurismas, etc)
    • Diabetes tipo II
    • Doença renal
    • Doenças oftalmológicas(retinopatias, catarata, etc)
    • Envelhecimento da pele, etc

    Como as proteinas estão presentes em toda extensão do organismo, a capacidade destrutiva dos AGEs é enorme. Compreender como reduzir a formação destes AGEs é algo critico para ajudar a reduzir o processo de envelhecimento e diminuir os riscos para doenças crônico-degenerativas.

    As Fontes  primárias de AGEs
     
    Há basicamente 2 fontes de AGEs. A primeira fonte é o alimento que nós comemos. A formação de AGEs nos alimentos é potencializada por métodos de preparo que utilizam altas temperaturas e baixa umidade (fritar, assar ou grelhar), sendo os alimentos ricos em lipídeos os principais contribuintes do conteúdo dietético de AGEs. Há evidências de que os AGEs dietéticos se somam ao pool de AGEs endógenos, favorecendo o surgimento e a progressão das diversas complicações do diabetes.Quando as carnes de origem animal são assadas a altas temperaturas, ou seja, quando adquirem aquele aspecto “dourado”, é indicativo de que já ocorreu elevada formação de AGEs. Desde que grãos, vegetais ou frutas também possuem proteínas, também são passiveis de formar AGEs se aquecidos a altas temperaturas. Estima-se que 30% dos AGEs de origem alimentar são absorvidos quando ingeridos.

    A segunda fonte de AGEs acontece dentro do seu organismo. Os nutrientes que você ingere alteram seus níveis de açúcar no sangue. A maioria do açúcar é utilizado nas reações oxidativas para formar energia para as células. Contudo, uma pequena proporção do açúcar sofre glicação e vai formar AGEs. Os devastadores efeitos dos AGEs então são dependentes da quantidade de açúcar e amido que consumimos. Tudo que aumenta em excesso a quantidade de açúcar no sangue, estimulará a glicação e a formação de AGEs.  Nas últimas décadas o consumo de açúcar tem aumentado dramaticamente. Açúcares simples como frutose e galactose são passíveis de sofrer glicação a uma taxa 10 vezes maior que a glicose. Muitos adoçantes utilizados hoje em sucos, refrigerantes, etc são 50% frutose ou derivados da frutose.
    O fumo é também considerado importante fonte exógena de AGEs. Durante a combustão do tabaco, espécies reativas de AGEs são volatilizadas, absorvidas pelos pulmões e podem interagir com proteínas séricas. Isso se reflete no fato de que as concentrações séricas de AGEs e de AGE-apoproteína B em fumantes se apresentam significativamente mais altas que em não-fumantes.
    Atualmente a indústria farmacêutica está empreendendo uma "caça ao tesouro" para descobrir  "removedores" de AGEs e produtos que inibem  sua formação. No mercado já figuram produtos à base de carnosina, ácido alfalipóico, extrato de mirtilo e laranja associado ao proxylane, peptídeos associados à vitamina E, silício e FN3RK (enzima capaz de reverter as fibras de colágeno alteradas).

    Sugestões para proteger você dos AGEs:
     
    Tendo em mente que é sempre o excesso de açúcar que potencializa a formação dos AGEs, faríamos bem em:
    1. Reduzir substancialmente o consumo de açúcares  e carboidratos refinados(derivados das farinhas de trigo, milho e mandioca). Estes carboidratos possuem alto índice glicêmico, ou seja, são rapidamente absorvidos e promovem alterações significativas nos níveis de açúcar no sangue. Já descrevemos em post  anterior 50 maneiras como o açúcar refinado pode prejudicar sua saúde. 
     
    2. Mantenha seus niveis de Glicemia estáveis. Para isto é necessário aprender como usar o índice glicêmico dos alimentos para manter seus níveis de glicemia numa faixa saudável.
     
    3. Cozinhe as carnes mais lentamente e em fogo baixo. Altas temperaturas vão formar mais AGES que temperaturas mais baixas.
     
    4. Aumente sua ingestão de fibras na dieta: feijões, ervilhas, lentilhas, etc. As fibras são estabilizadores do açúcar por horas e ajudam a manter o peso. Consuma-as de preferência no almoço e no jantar. 
     
    5. Evite bebidas industrializadas adoçadas com “Frutose de soro do milho”( high fructose corn syrup-HFCS). O processo de extrair açúcar do milho foi desenvolvido na década de 70. É um processo químico complicado e enzimático que converte amido de milho em um xarope com uma concentração final de 55% de frutose e 45% de glicose, com  paladar idêntico ao do açúcar. A frutose está sendo estudada como importante fator na resistência insulínica do diabetes e obesidade. Todos os refrigerantes e bebidas industrializadas são adoçadas com este produto.
     
    6. Mantenha-se bem hidratado com água pura e sem aditivos. Todos os processos de excreção dependem de uma boa hidratação. 

    7. Aumente sua ingesta de antioxidantes. A formação de AGEs aumenta também a formação dos chamados radicais livres. O consumo regular de frutas e verduras aumenta a capacidade antioxidante do nosso organismo.  Vários condimentos como a vinagre, canela, açafrão e pimenta também ajudam a manter estáveis os níveis de açúcar no sangue e alguns são ricos em antioxidantes.

    Fontes:

    1. http://en.wikipedia.org/wiki/Glycation

    2. Vlassara H. Advanced glycation in health and disease. Role of the modern environment. Ann N Y Acad Sci. 2005;1043: 452-60.

    3. Goldberg T, Cai W, Peppa M, Dardaine V, Baliga BS, Uribarri J, et al. Advanced glycoxidation end products in commonly consumed foods. J Am Diet Assoc. 2004;104(8):1287-91.

    4. Vlassara H, Palace MR. Diabetes and advanced glycation endproducts. J Intern Med. 2002;251(2):87-101.      

    5. Cerami C, Founds H, Nicholl I, Mitsuhashi T, Giordano D, Vanapatten S, et al. Tobacco smoke is a source of toxic reactive glycation products. Proc Natl Acad Sci U S A. 1997;94(25): 13915-20.  

    6. Thornalley PJ. The enzymatic defence against glycation in health, disease and therapeutics: a symposium to examine the concept. Biochem Soc Trans. 2003;6:1341-2.

    7. Vlassara H, Palace MR. Glycoxidation: the menace of diabetes and aging. Mt Sinai J Med. 2003;70(4):232-41.

    sábado, 5 de junho de 2010

    Entrevista com Henry Okigami



    Henry Okigami é farmacêutico, especialista em farmácia hospitalar, especialista em homeopatia, especialista em fitoterapia, consultor em pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos na indústria farmacêutica, alimentícia e cosmética. Também é Diretor de pesquisa e desenvolvimento da Science Solution – Soluções em revestimento e nanotecnologia.

    1.    Henry, um tema freqüentemente abordado por você em suas palestras é a questão da suplementação de aminoácidos essenciais, ácidos graxos ômega 3 e outros nutrientes, e seus efeitos moduladores na produção de neurotransmissores cerebrais específicos com repercussões no comportamento humano. Existe então uma “Dieta do bom humor”?

    Eu diria que a dieta influencia nosso estado de humor. Imagine você que os principais neurotransmissores , dopamina, serotonina, epinefrina e norepinefrina são derivados de aminoácidos essenciais. Para sua produção precisamos de cofatores dependentes de vitaminas e enzimas dependentes de oligoelementos. Além disso há estudos mostrando que a deficiência de nutrientes pode alterar o estado de humor. Nossa relação com o que comemos é extraordinária. Dependemos muito de nosso relacionamento com o meio externo. Podemos dizer, então, que há dietas que podem melhorar o controle do humor, e até dizer que algumas dietas podem torná-lo mais otimista ou mais pessimista.Tudo depende do estado de neurotransmissores no nosso cérebro. 
    2.    Estamos observando atualmente um crescimento acelerado ,de proporções mundiais da Obesidade e doenças associadas(Diabetes, Hipertensão, doença cardiovascular, etc.). De que forma o estilo de vida moderno tem interagido com nossa genética para explicar este crescimento da obesidade?
     
    Bem, os estudos mostram que o ser humano foi selecionado para ser um animal que acumula energia. Imagine que quando nós aparecemos na face da terra o alimento era escasso. Daí nós fomos selecionados com base em nossa capacidade de comer mais, quando havia mais alimentos, e armazenar na forma de tecido adiposo ou gordura para épocas de escassez. Junte-se a isto o fato de que o alimento, além de ter uma disponibilidade mais fácil, também foi alterado em sua composição. Hoje em dia nossa dieta é mais rica em carboidratos simples, coisa que não ocorria nos tempos antigos. Também ingerimos carboidratos demais. Além disso, a agricultura moderna prioriza produzir mais, e não mais qualidade. Tudo isto  leva a um descontrole metabólico que nos leva a ingerir mais alimentos. Some o fato de que nós temos uma carga genética que predispõe à obesidade, mais alimentos altamente calóricos e de baixa qualidade, a tendência é ingerirmos mais alimentos e nos tornarmos obesos.

    3.    Um dos temas bastante explorados na pesquisa científica ultimamente tem sido a questão da Inflamação como via metabólica comum de muitas das chamadas doenças modernas(diabetes, doença cardiovascular, Alzheimer, câncer, etc.). O que você tem a dizer sobre isto?

    A inflamação está presente em quase todos as patologias conhecidas. Diferentemente do que se fala, a inflamação geralmente é causa de um distúrbio metabólico que pode ter causas múltiplas. Se corrigido o distúrbio metabólico, a inflamação pode regredir. Porém, devido ao desequilibrio multifatorial, tendemos sempre a ter uma inflamação em nosso corpo. Vamos pegar um exemplo... a depressão. A depressão tem um componente inflamatório que pode piorar o quadro clínico da depressão. O tratamento da depressão e da inflamação ao mesmo tempo pode acelerar a melhora do paciente. A inflamação é um alvo em inúmeras doenças como Alzheimer e doeça cardiovascular, mas não é a causa primária. É uma consequência da doença já estabelecida, e como tal deve ser considerada quando abordamos o tratamento.
    4.    Uma grande preocupação mundial para os próximos anos tem sido o problema dos contaminantes químicos ambientais e suas repercussões na saúde humana. Neste contexto temos os resíduos de metais tóxicos. Quais os reais perigos destes contaminantes?

    As conseqüências dos contaminantes ambientais ainda estão sendo mensuradas no ser humano. Sabemos que há conseqüências terríveis que tem sua gravidade associada ao nível de contaminação. Quanto maior a contaminação, pior a conseqüência. Mas, mesmo em quantidades consideradas normais, alguns contaminantes causam distúrbios bioquímicos no corpo, que refletirão num futuro, em prevalência maior de doenças, ou até estabelecimento de doenças dependentes destes contaminantes. Peguem o selênio como exemplo. Excesso de selênio é associado a ganho de peso. Falta de selênio é associado a ganho de peso. Excesso de chumbo altera as funções cognitivas, mesmo nos níveis aceitos pela organização mundial da saúde. Há que se considerar a sinergia entre os contaminantes. Imagine um individuo contaminado por múltiplos contaminantes que atuem num mesmo processo bioquímico, o que devemos considerar é a soma da toxicidade e não um produto isolado. O fato é que nós seres humanos somos predadores e destruimos nosso ambiente. Eu sempre falo que nós jogamos um monte de porcaria no ambiente e depois temos que limitar a ingestão, respiração e contato com aquelas porcarias.
    5.    Tenho informação de que você está envolvido em pesquisa de ponta na área do câncer. Qual o futuro do uso de substâncias “naturais”(nutrientes, fitoterápicos, minerais, etc) no tratamento do câncer?

    Acredito que não só o tratamento, como a prevenção de câncer, passe por muitos produtos naturais. O ponto principal no tratamento do câncer é focar a diferença entre a célula cancerigena e a célula normal. Há 20 anos estudo bioquimica da célula neoplásica. Hoje há uma tendência grande em se mirar alguns alvos especificos na célula neoplásica, alguns passos bioquimicos que estão associados à hiperproliferação. Ainda há muito o que se evoluir nesta área. Assim como a quimioterapia e a radioterapia tradicional, produtos naturais terão seu papel nessa luta contra o câncer, porém cabe a ciência esclarecer este papel.

    Agradecemos a gentileza do henry em atender a esta entrevista para o nosso blog.  O henry mantém um blog de ciência cujo link está disponibilizado abaixo.

    domingo, 30 de maio de 2010

    Vinagre ajuda a manter os níveis de glicose mais baixos e aumenta a saciedade



    O vinagre tem sido utilizado com finalidades terapêuticas e culinárias por séculos. Recentemente alguns estudos tem comprovado os efeitos terapêuticos do vinagre, particularmente seu efeito hipoglicemiante e sacietogênico. Acrescentar uma modesta quantidade de vinagre na dieta pode ajudar a reduzir a glicemia pós-prandial e aumentar a sensação de saciedade durante todo o dia. Estudos preliminares tem mostrado que o vinagre reduz os níveis de glicose pós prandiais em indivíduos sadios. Tem sido discutido se este efeito decorre de sua ação retardando o esvaziamento gástrico.
    Em um estudo da Universidade de Michigan (EUA), publicado no jornal científico "Diabetes Care", da Associação Americana do Diabetes, observou-se que consumir cerca de 4 colheres de chá (20 mililitros) de vinagre branco por dia reduz em 30% a resposta glicêmica do organismo,regulando os níveis de insulina no sangue. Foram testados dois grupos de pessoas, com 10 participantes cada, em que um acrescentou a sua dieta o vinagre na quantidade sugerida e outro que recebeu apenas um placebo. Após dois meses de estudos, os cientistas perceberam que houve menos elevação nas taxas de açúcar  dos que receberam o vinagre  que na dos que receberam  o placebo. Segundo os pesquisadores, o segredo do vinagre está no ácido acético que o compõe. Isso porque, o ácido ativa genes responsáveis por enzimas de oxidação dos ácidos graxos.
    Um outro estudo da Universidade de Lound, Suécia, verificou que quando acrescentado a uma refeição baseada em carboidratos simples como pão branco de farinha refinada, o vinagre reduzia os níveis pós prandiais de glicose e insulina, e aumentava a sensação subjetiva de saciedade. Neste estudo observou-se uma relação dose/resposta inversa entre o nível de ácido acético e os níveis de glicose e insulina no sangue.
     Como é fácil de observar, vivemos em um ambiente cada vez mais "obesogênico" e "diabetogênico". As pessoas estão comendo mais e pior. Some-se a isto o crescente sedentarimo e o nível alto de sress nas grandes cidades, temos motivos de sobra para  nos preocupar com a saúde de nosso pâncreas. A implementação de hábitos saudáveis, como reduzir o consumo de açúcar, carboidratos refinados(pão branco, bolos, biscoitos,etc) e a utilização diária do vinagre como condimento em saladas ou picles, tem potencial de melhorar nossos níveis de glicemia, reduzindo o risco de Diabetes tipo II.

    Fontes:
    1. Brighenti F, Castellani G, Benini L, Casiraghi MC, Leopardi E, Crovetti R, Testolin G: Effect of neutralized and native vinegar on blood glucose and acetate responses to a mixed meal in healthy subjects.
      Eur J Clin Nutr 1995, 49(4):242-247. PubMed Abstract OpenURL

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    2. Liljeberg H, Björck I: Delayed gastric emptying rate may explain improved glycaemia in healthy subjects to a starchy meal with added vinegar.
      Eur J Clin Nutr 1998, 52(5):368-371. PubMed Abstract | Publisher Full Text OpenURL

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    3. Leeman M, Ostman E, Björck I: Vinegar dressing and cold storage of potatoes lowers postprandial glycaemic and insulinaemic responses in healthy subjects.
      Eur J Clin Nutr 2005, 59(11):1266-1271.
    4. Ostman E, Granfeldt Y, Persson L, Björck I: Vinegar supplementation lowers glucose and insulin responses and increases satiety after a bread meal in healthy subjects.
      Eur J Clin Nutr 2005, 59(9):983-988. 
    5. Johnston CS, Kim CM, Buller AJ: Vinegar improves insulin sensitivity to a high-carbohydrate meal in subjects with insulin resistance or type 2 diabetes.
      Diabetes Care 2004, 27(1):281-282.

    terça-feira, 25 de maio de 2010

    O efeito terapêutico de um pet


    A pesquisa científica tem mostrado que pacientes vítimas de ataques cardíacos que possuem um animalzinho de estimação tem mais probabilidade de viver mais. Até mesmo assistir um aquário cheio de peixinhos pode, ao menos temporariamente, baixar a pressão arterial. Um estudo de 92 pacientes hospitalizados em unidade coronariana por angina ou infarto, descobriu que aqueles pacientes que possuiam um animal de estimação tinham maior probabilidade de estar vivo um ano depois do incidente que aqueles que não possuiam pet. O estudo encontrou que apenas 6% dos pacientes que possuiam um pet morreram no prazo de um ano. No grupo que não possuia pet houve 28% de mortos.
    O uso terapêutico de pets como companheiros tem recebido maior atenção dos meios científicos em anos recentes . Ao contrário das pessoas, cujas ações podem ser tanto quanto complexas e imprevisíveis, os animais podem representar uma fonte constante de conforto, afeto e atenção. Eles também podem nos fazer sentir incondicionalmente aceitos e mais responsáveis. Um animalzinho de estimação também pode desviar nosso foco para além de nosso próprio umbigo, nos ajudando a nos conectar com um universo mais amplo.Neste sentido, pode ser fundamental para nos ajudar a nos tornarmos mais humanos.

    Comércio e indústria de alimentos investem bilhões em publicidade para induzir nossas crianças a comer o que eles querem

     
     Ninguém de sã consciência pode duvidar do progressivo empobrecimento dos hábitos alimentares de nossas crianças. Embora não trabalhe especificamente com este público, freqüentemente sou solicitado a prestar assistência a filho(a)s de pacientes que estou tratando. Quando solicito um recordatório alimentar semanal, ou seja, aquele tipo de inquérito em que o indivíduo registra tudo que come, inclusive a quantidade, fico realmente entristecido ao ver a quantidade de jovens que, ao final de uma semana, não consumiram nem ao menos uma porção sequer de frutas e/ou verduras.
    Nos EUA, o relatório “Marketing de alimentos para crianças e adolescentes: uma revisão das despesas , atividades e auto-regulação das indústrias”, apontou que a propaganda de comida para crianças está integrada a campanhas publicitárias que associam a mídia tradicional, como a televisão e cinema, com as mídias impressas em embalagens, cartazes, revistas e até internet.
    Muitas vezes a propaganda é subliminar. Quando a criança vê o seu herói, como Bob esponja ou outro personagem de desenho animado ou filme, comendo um hamburger com fritas e refrigerante, fica em sua mente o reforço positivo para aquele comportamento.
    Segundo o relatório, uma das estratégias deste comércio tem sido o que ele chama de “marketing promocional cruzado”. Este tipo de marketing tem sido comum nos últimos anos, fazendo ligação de alimentos e bebidas a um sem número de filmes, shows de televisão, e personagens animados que apelam diretamente à criançada. Filmes como “o retorno do super man” e “Piratas do Caribe” serviram para promover campanhas em redes de fast food, pipocas em redes de cinema, cereais, refrigerantes, doces, etc.
    Em termos de onde o dinheiro da propaganda está sendo gasto para conquistar as crianças, o relatório aponta que “a propaganda de televisão ainda domina o panorama.  As companhias gastaram em 2006 cerca de $745 milhões de dólares neste tipo de mídia. Mais de 50% dos anúncios televisivos foram direcionados a crianças com menos de 12 anos. Para este público predominaram os anúncios de cereais de caixinha e cadeias de fast food.”
    Cada vez mais observamos propaganda de alimentos para crianças com o fim de fazê-las presas de alimentos indesejáveis com alto teor de sal, açúcar, gorduras trans e aditivos químicos. Crianças em idade escolar que assistem mais televisão tem mais probabilidade de desenvolver hábitos ruins de alimentação nos próximos 5 anos. Esta foi a conclusão de um estudo de pesquisadores do estado de Minnesotta, que envolveu quase 2000 crianças em idade escolar. Os autores encontraram que crianças que assistiam mais de 5 horas de televisão por dia, tiveram  menor ingestão de frutas, verduras, grãos integrais e alimentos ricos em cálcio; e maior ingestão de petiscos, alimentos processados, frituras, bebidas açucaradas e gorduras trans, 5 anos mais tarde.
    Embora as crianças possam ter consciência de que muitos dos produtos anunciados na televisão não são saudáveis, elas podem ignorar as conseqüências que estes alimentos podem ter  na saúde e até na aparência pessoal, já que os atores e personagens associados a estes alimentos nos comerciais geralmente são atléticos e têm boa saúde.
    Eu considero que a melhor estratégia para combater o erro e a “mentira” é promover a verdade. Como pais, primeiro temos que dar o exemplo. Criança só come o que os pais compram. E devemos aprender a resistir às “chantagens” emocionais que eles sabem bem utilizar. Também, o período do primeiro ao terceiro ano de vida, eu considero a janela de oportunidade para plantar bons hábitos. Neste período a criança estabelece suas preferências alimentares. Os pais devem apresentar os sabores dos diversos legumes e frutas separadamente antes de misturar tudo nas sopinhas, papas, etc. Limitar o tempo da criança em frente da televisão também é uma medida saudável. Há algum tempo vi um estudo que também associava o tempo gasto em televisão a um maior risco de fraturas em crianças. Isto se explica porque a criança que passa mais tempo em televisão (ou vídeo game) desenvolve menos habilidades espaciais e motoras e está mais sujeita a quedas.

    Fontes

    1. Daheia J Barr-Anderson, Nicole I Larson, Melissa C Nelson, Dianne Neumark-Sztainer and Mary Story. Does television viewing predict dietary intake five years later in high school students and young adults? International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, (in press). http://www.sciencedaily.com/releases/2009/01/090129213436.htm

    quinta-feira, 20 de maio de 2010

    Carnes processadas aumentam o risco de doença cardíaca e diabetes


    Vejam só...poucos dias depois de postarmos aqui sobre os perigos dos alimentos processados, as agências de noticias divulgaram o resultado de um abrangente estudo da escola de saúde publica de Harvard, publicado na revista Circulation. Segundo este estudo, o consumo de carnes processadas, como salsicha, presunto, linguiça e embutidos, aumenta o risco de doença coronariana. Já a carne vermelha, não parece ser nociva. O estudo em questão foi uma "metanálise", onde os autores analisaram vários estudos nos quais participaram mais de um milhão de pessoas.Eles concluem que consumir 50 gramas de carne processada ao dia, o equivalente a uma ou duas fatias de presunto ou uma salsicha, está associado a um aumento de 42% nas probabilidades de desenvolver doença coronariana, e em 19% a chance de diabetes.Estas carnes apresentam quatro vezes mais sal e 50% mais conservantes baseados em nitratos do que as carnes frescas.
    Para quem só consumia carnes vermelhas não processadas, não houve elevação significativa nos riscos. Os pesquisadores disseram que outros cuidados com a saúde eram semelhantes entre os dois grupos.
    Renata Micha, da Escola de Saúde Pública de Harvard, defende que as carnes processadas e não-processadas à venda nos Estados Unidos contêm quantidades semelhantes de colesterol e gorduras saturadas, portanto não é este o principal responsável por estes resultados.

    Fonte:
    Red and Processed Meat Consumption and Risk of Incident Coronary Heart Disease, Stroke, and Diabetes Mellitus. A Systematic Review and Meta-Analysis, 10.1161/CIRCULATIONAHA.109.924977